Jetstortopia

Top 5: Disco Music

Posted on: 01/10/2010


Luz estroboscópica, naipe de metais, luz negra, baixo funkeado e um sujeito cantando em falsete… se esses termos lhe são familiares, das duas, uma: ou você viveu os anos 70 ou estudou muito bem o assunto. Obviamente esses elementos não foram criados nessa época, mas nela com certeza foram popularizados mundo afora. Na “década dos excessos” meus amigos de escola e eu estávamos saindo da infância para a adolescência e os maiores excessos que nos permitíamos era usar a camisa aberta até quase o umbigo e imitar os passos de John Travolta nas festas.

A primeira metade da década foi bem mais tranqüila: havia no máximo os bailinhos de garagem ao som de You Are de Sunshine of My Life (Stevie Wonder), Only Yesterday (Carpenters) e Rock And Roll Lullaby (B. J. Thomas – alguém aí se lembra do “shananana…”?). Dançar uma música ‘lenta’ colado na menina dos seus sonhos costumava ser, de fato, apenas um sonho… quando rolava, era simplesmente a melhor coisa que podia acontecer na sua vida.

© http://dryicons.com

Ouvia-se as rádios Jovem Pan 2 e Excelsior, a “A Máquina do Som”, com o dedo na tecla pause do gravador de um aparelho 3-em-1 à espera de conseguir registrar numa fita cassete a música desejada. Os LPs, de capas e interiores com artes fantásticas, eram caros e escolhidos a dedo para serem comprados com a suada economia das mesadas, que ainda tinham que bancar gibis e fichas de fliperamas.

Por volta da metade da década, mais ou menos na mesma época que costumávamos sair para combater ferozes invasões alienígenas, a coisa começou a pegar fogo. Os bailinhos viraram ‘festas disco’: tínhamos um genial colega coreano famoso por não poupar esforços (e a grana do pai) para dar verdadeiras festas de arromba. Tinha direito ao mesmo festival de luzes que havia nas discotecas (Papagaio Disco Club, alguém mais…?), além de caixas de som capazes de trincar as paredes (não sei como não havia mais reclamações dos vizinhos, mas nos tempos de antanho São Paulo era bem mais erma…).

© http://dryicons.com

Aqui vai então um top 5 dessa era, mas de um jeito um pouco diferente: será composto de uma música que represente cada um dos efeitos citados no 1º parágrafo - a conferir se isso faz algum sentido:

1 - EstroboI Feel Love (1977)

A luz estroboscópica criada em laboratório para estudo de elementos em movimento acelerado ganhou na era disco um nobre missão: fazer com que se perca qualquer noção do ambiente e de si próprio. Donna Summer, a ‘rainha da disco’, tem o privilegio de ter lançado um dos primeiros hits techno da história sob a batuta do mago produtor Giorgio Moroder, e I Feel Love é simplesmente perfeita para ser acompanhada por um belo efeito estroboscópico. Ao ouvi-la deve-se sentar, relaxar e ligar uma estrobo na cara. Não tem uma à mão?  Sem problema: levante-se então, gire bem rápido sobre seu próprio eixo e pisque convulsivamente; deve ser suficiente.

2 – Naipe de metaisIn the Stone ( 1979)

Aproveitando as lições deixadas pelas big bands, a disco music soube valorizar como nenhuma outra vertente pop a luxuosa contribuição de um naipe de metais afiado e matador, garantindo com seus ataques precisos uma urgência e um swing característicos do estilo. Earth Wind & Fire, a maior banda negra dos 70’s, soube como ninguém aplicar esse conhecimento a seus arranjos incendiários: não dá para ficar indiferente quando os metais nos convocam, já na primeira nota de In the Stone, a dançar como se não houvesse amanhã.

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3 – Luz negraThat’s The Way (1975)

Efeito fantasmagórico e dentes instantaneamente ultra-brancos, proporcionados paradoxalmente pela luz negra, não podiam nunca faltar num ambiente disco. Além disso, só ela é capaz de criar um clima de night club ao mesmo tempo brega e sexy, e uma música que representa bem isso é este hit da KC & The Sunshine Band, que só tem uma coisa a dizer o tempo todo: “é desse jeito que eu gosto”!

4  – Baixo funkeadoAin’t We Funkin Now (1978)

Nada contribuiu mais para a disco music do que o estilo funk (clássico, bem entendido, e não o carioca) de tocar, e nada é mais característico do funk anos 70 do que a levada sincopada do baixo elétrico. O hit dos Brothers Johnson é a indicação para uma das melhores performances da época: já começa quebrando tudo e ainda tem um solo arrasador lá pelos 2:50’, quando o sábio coral sugere: “ouça o baixista…”

© http://dryicons.com 5 – FalseteYou Should Be Dancing (1977)

Para encerrar em grande estilo: não há como falar da disco music e não comentar essa característica tão peculiar da mesma. Nunca se cantou dessa maneira de forma tão onipresente e marcante como nos 70’s. É quase impossível ouvirmos uma compilação da época e não toparmos com um sujeito cantando de forma tão furiosamente aguda que parece que está sendo torturado de maneira impiedosa, e Sylvester com seu hit You Make Me Feel (Mighty Real) é eloqüente o suficiente nesse sentido. No entanto cantar em falsete é uma contribuição artisticamente brilhante e perfeita para esse estilo de som, e a questão do melhor falsete se decide entre dois dos melhores intérpretes do gênero: Barry Gibb, dos Bee Gees, e Phillip Bailey, do EW&F.

© http://dryicons.com

Bailey possui uma fabulosa extensão vocal e sua escolha como lead singer feita pelo fundador da banda Maurice White tem uma interessante relação com a música brasileira. Insatisfeito com o som da primeira formação do EW&F no início dos anos 70, White dispensou os músicos que até então o acompanhavam (exceto por seu irmão baixista e co-fundador da banda Vernon White) e saiu á procura do som que desejava. Foi quando topou com o material de Milton Nascimento, lançado á época nos EUA através de selos de jazz-fusion. Aquele som, e especialmente voz, impactou-o tão profundamente que o influenciou na escolha de um vocal poderoso e emocional para a banda, encontrado plenamente em Bailey, o que se transformou numa das marcas registradas do grupo.

Porém o cetro e a coroa ficam definitivamente com Barry Gibb: foi ele quem definiu e popularizou esse estilo de cantar  com seu timbre característico, ao empregá-lo fartamente na fase áurea dos Bee Gees e principalmente em Saturday Night Fever, um dos discos de maior vendagem de todos os tempos (perdendo o posto apenas para Thrilller de Michael Jackson) e detentor de inúmeros clássicos da falsete disco tais como Stayin’ Alive,How Deep Is Your Love,Night Fever,More Than a Woman e a última deste Top 5, You Should Be Dancing.

Com atributos tão marcantes como estes, uma profusão de hits memoráveis e inúmeras bandas e músicos emblemáticos, o som dessa época permanece na memória coletiva e consegue a proeza de se manter culturalmente influente até os dias de hoje

(Todas as imagens © http://dryicons.com)

8 Respostas to "Top 5: Disco Music"

Todos os sábados na garagem… Acho que eu tinha uns 10 anos… ou talvez 11? Era o dia mais esperado da minha semana. Minha irmã era minha referência; 5 anos mais velha, era minha ídola: suas roupas (mini-blusas… eca… rsrs), as músicas que ela ouvia, os namoricos… e lá ía eu, grudada nela pra conhecer aquele ‘mundo da garagem’, em que os meninos ficavam encostados na parede e as meninas riam sem parar… E não é que de repente toca a música mais esperada do bailinho: Rock and Roll Lullaby… “ai, ai”, suspiravam as meninas, instantaneamente. Os amigos dela, então, com pena da irmãzinha mais nova, pegavam um banquinho pra eu subir e ficar da altura dos meninos, e assim, finalmente, poder dançar com alguém. Que delícia tudo isso!!! Não tem mesmo como esquecer a trilha sonora dessa época… “ai, ai”…

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boas lembranças!… porém não entendia a letra dessa música… cantava enrolando, tipo ‘Rock&roll – Lola, bye!’ ou algo assim… e depois descobri que é sobre a mãe do autor dos versos, que nos dias difíceis cantava uma canção de ninar (lullaby) para o filho… nada a ver! hehe…

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E não é que isso me fez lembrar de outra música de bailinho, aquela do ‘Cabeça de Jaca’, que eu cantava errado… lembra? “That´s why I´m easy, I´m easy Alexander Morning…” kkkkkk

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Lembro! hehe… de fato, o Alexander Morning era um cara bem na boa mesmo…:)

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Oi gente: Jorge e Renata!
Os bailinhos eram demais mesmo…vcs tinhas que dançar com a vassoura tb?
A Re era café com leite?
Mas a hora da música lenta era uma tortura….adorei qdo fui pela primeira vez numa danceteria (chamava assim na época) e nao tinha o constrangimento da música lenta (será que alguem vai me chamar para dançar?) aff
Bom…que tal se vc fizer um top five cinema da época?
Bjs
Ia

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Oi Ia!! que legal que vc apareceu… nos bailinhos lembro da vassoura sim, hehe… e danceteria já era coisa muderna, na minha época era discoteca mesmo… ando preparando uns posts sobre seriados dos anos 60 a 2000, mas uns de filmes tb é uma boa pedida! bjs

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Ia !!! que delícia vc por aqui… tinha vassoura, claro, mas eu era café com leite mesmo… alguma vantagem no meio de tanto mico que eu pagava… rsrs. A idéia dos seriados é demais, hein… bjs

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[...] Na minha adolescência vivi dividido entre a MPB e a Disco Music, conforme comentei num post anterior. No último gênero meus artistas preferidos eram sem sombra [...]

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