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Homem de Ferro versus Mandarim: Confrontos! (parte 2 de 3)

Posted on: 14/12/2012


Na primeira parte deste artigo discorremos sobre como uma discussão surgida no blog HQRock, entre seu criador e redator Irapuan Peixoto e eu, sobre a participação do arqui-inimigo Mandarim no filme do Homem de Ferro 3, acabou por gerar as seguintes perguntas:

– O Mandarim é de fato o arquivilão definitivo para o Homem de Ferro?

– Qual a melhor estória envolvendo o vilão já publicada?

E por fim: como se sairá no cinema?

Ben Kingskey, MandarimNa intenção de respondê-las já vimos na parte 1 como o Mandarim se tornou o inimigo mais icônico e recorrente nas estórias do Homem de Ferro nos 60s, nas páginas de Tales of Suspense. A seguir veremos que há um longo caminho até que a melhor estória envolvendo o personagem venha a ser de fato realizada…

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Altos e Baixos

Iron Man #009Em maio de 1968 finalmente o Homem de Ferro ganha um título próprio e uma nova e vibrante equipe criativa, composta pelo lápis dinâmico de George Tuska em seus melhores momentos, arte finalizado e algumas vezes substituído pelo competente e agradável traço de Johnny Craig, e pelo ótimo roteirista Archie Goodwin. E com essa infusão de nova energia criativa típica da Era de Bronze somos apresentados a um dos melhores arcos com a participação do Mandarim, nos #s 9-11 (janeiro-março de 1969). No início da trama de “There Lives a Green Goliath” (E Vive um Golias Verde) somos apresentados a uma bela oriental à serviço de um misterioso mestre que é capaz de comandar nada menos do que o incrível Hulk, o qual rapta a namorada de então de Tony Stark, JaniceIron Man #010 Cord,  e obriga o Homem de Ferro a entrar na batalha apenas para descobrir que não se tratava do verdadeiro anti-herói verde e sim de um robô. Nesta altura o tal mestre revela-se ser ninguém menos que o Mandarim o qual, após tantos embates, finalmente anda desconfiado que Stark e o Homem de Ferro são a mesma pessoa e resolve por em ação um plano para desmascará-lo. Em “Once More… The Mandarim!” (Uma Vez Mais… O Mandarim!) a trama se adensa e com a ajuda de Mei Ling, a bela oriental apaixonada por seu mestre, o Mandarim prepara uma cilada e atrai o Homem de Ferro para um campo de estase onde seu capacete é arrancado no último quadrinho, num gancho memorável que deu origem a uma das capas mais icônicas da época no número seguinte, cuja estória não à toa se chama Iron Man #011Unmasked!” (Desmascarado!).  Ocorre que Stark que não era bobo nem nada estava preparado para tudo isso, e além de usar uma máscara revelando uma face que não a sua quando o capacete lhe foi arrancado, utilizou pela primeira um LMD (=Life Mode DecoyModelo Simulador de Vida), um robô com sua aparência que fazia crer que ele e seu alter-ego eram pessoas distintas, recurso que se tornaria usual a partir de então para solução dos problemas relativos à identidade secreta. Na batalha final entre o Mandarim e o Homem de Ferro o primeiro usa Janice Cord como refém mas é derrotado por sua própria assistente Mei Ling, que se sacrifica para ajudar o Homem de Ferro ao perceber a frieza e vilania de seu amado! Com estórias como essa, quem precisava na época assistir novela…

Iron Man #11, pg 17 & 18, Goodwin & Tuska

Decupagem assimétrica dos quadrinhos: tensão gráfica à serviço da ação [Iron Man #11, pgs 17 & 18]

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O próximo arco encontra o mesmo Tuska nos layouts, agora com arte-final dos veteranos Mike Esposito e Frank Giacoia, porém o roteiro é de ninguém menos do que Steve Gerber que maisIron Man #057 tarde se notabilizaria pela criação de Howard, The Duck. Talvez premido pelo esgotamento da fórmula clássica dos embates entre o Mandarim e o Homem de Ferro, em “Strike!” (Greve!) no #57 (abril de 1973) Gerber procura dar um ar de modernidade à trama, a qual infelizmente não é das mais inspiradas: pressionado por um protesto dos trabalhadores das Indústrias Stark que acusam o patrão de parceria com países comunistas, Stark se revolta com a acusação pois considera uma represália por ter deixado de fabricar armas para os militares, apenas para descobrir que um investidor de nome Gene Khan está por trás desses protestos. Ao investigar de forma nada sutil seu paradeiro, invade seu escritório e desce o porrete em todos à frente, descobrindo que o tal Khan (não confundir com o inimigo de James Kirk em Jornada nas Estrelas) é na verdade ninguém menos que seu arqui-inimigo Mandarim e a partir daí pancadaria corre ainda mais solta quando entra na briga o Unicórnio, inimigo surgido nos primeiros números da Iron Man #058revista e agora sob domínio mental do Mandarim (após ter a ele pedido ajuda para curar uma degeneração mental irreversível que sofria por efeito colateral de seus poderes, se é que isso tudo ainda faz sentido…).  Em “Mandarin and the Unicorn: Double-Death!” (Mandarim e o Unicórnio: Morte em Dobro!) no #58 (maio de 1973) a coisa se complica ainda mais quando o Homem de Ferro elude seus inimigos a atacarem um ao outro, quando então ocorre uma troca de consciência (!) e a mente do Mandarim passa a habitar o corpo do Unicórnio. Percebendo o desastre, o Unicórnio “incorporado” foge da luta levando o corpo inerte do Mandarim no intuito de buscar uma solução para a situação e a grande contribuição da edição é finalmente revelar o poder de cada um dos dez anéis do Mandarim, o que certamente é divertido mas não salva o conjunto da obra…

Iron Man #57 pg 12 & 14Os poderes dos anéis são finalmente revelados [Iron Man #57, pgs 12 & 14]

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Iron Man #068O arco seguinte começa no #68 (junho de 1974) e me é muito querido por razões nostálgicas, já que foi a primeira revista em quadrinhos original americana que li na vida nos longínquos 70s (lembro-me perfeitamente até hoje do lugar exato em que a encontrei na banca de jornais enquanto procurava por meu herói favorito, que havia desaparecido da Ebal e que só seria publicado novamente no Brasil um ano depois pela Bloch). O longevo Tuska estava no seu auge artefinalizado magistralmente por Esposito, enquanto Mike Friederich tentava reverter algumas das más decisões criativas recentes, sem muito sucesso.

Iron Man #68, pgs 2 & 3, Friederich & TuskaPecados do passado: de volta ao Vietnã [Iron Man #68, pgs 2 & 3]

Em “Night of the Rising Sun!” (Noite do Sol Nascente!) encontramos o Homem de Ferro numa missão de resgate no Vietnã pós-guerra, questionando-se por suas decisões belicistas do passado numa nítida crítica afinada com a postura pacifista dos jovens americanos nos 70s, quando entra em confronto com o mutante japonês Sunfire que questiona sua presença não desejada na região, apenas para vê-loIron Man #68, pg 31, Friederich & Tuska desaparecer misteriosamente. Ao investigar descobre que nada menos que o Mandarim, ainda no corpo do Unicórnio e sediado numa base submarina, raptou o mutante para usá-lo como fonte de energia para o processo de transferência de sua mente para seu próprio corpo, obtendo sucesso.  Ao ser rechaçado pelo Mandarim, o Homem de Ferro sofre avarias em sua máscara devido à uma explosão combinada à pressão subaquática, o que o leva de volta ao laboratório e à uma de suas invenções mais polêmicas: o nariz na máscara, justificado para suportar a pressão submarina e “inspirar medo nos oponentes” (sic). O resultado não foi bem medo mas revolta e chacota dos fãs, à época…

Aqui cabe um parêntese anedótico: reza a lenda que Stan Lee, à essa altura todo-poderoso editor-chefe da Marvel, havia escrito no rodapé de um layout que revisara que desejavaIron Man #68, pg 32, Friederich & Tuska inovações na revista a começar por alguma novidade na armadura no intuito de gerar interesse e atrair mais leitores, e que teria escrito algo como “que tal um nariz na máscara ou algo assim” apenas de brincadeira, para aliviar o tom das exigências que fazia. Ocorre que Friederich teria tomado a observação ao pé da letra e o resultado foi um design aberrante  e meio ridículo que só foi alterado por Len Wein e Herb Trimpe 17 números depois, para alívio dos fàs inconformados…

Iron Man #069A arco prossegue no # 69 (agosto de 1974) em “Confrontation!” (Confronto!) onde após a transferência da mente do Mandarim para seu próprio corpo ele é, como diz o título, confrontado pelo renovado e narigudo HomemIron Man #070 de Ferro, apenas para fugir covardemente deixando Sunfire á morte por afogamente em meio à destruição de seu laboratório submarino, cabendo so Vingador Dourado o resgate. Esgotado e atacado novamente pelo Mandarim, é por este derrotado e lançado ao espaço para que pereça, enquanto o Mandarim prossegue para despertar novamente Ultimo de sua sepultura num vulcão adormecido e lançá-lo num ataque ao vilão Garra Amarela, que havia tomado posse de seu castelo na China. Alguém aí ainda acompanha o fio da meada? Ninguém disse que era fácil ser fã da Marvel nos 70s, mas com certeza era divertido…

Iron Man #070, pg 22Mandarim vs Garra Amarela: no confronto doméstico o dono da casa levou a pior [Iron Man #70, pg 22]

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Iron Man #071Isso se confirma no # 70 (setembro de 1974) em “Who Shal Stop… Ultimo?” (Quem Deterá… Ultimo?) que é pura pancadaria no bom e velho estilo Marvel: enquanto o Mandarim confronta e é derrotado e “morto” por um Garra Amarela marrento e cheio de truques, o Homem de Ferro e Sunfire derrotam Ultimo em mais uma batalha titânica, após o que o primeiro ruma para o confronto final com o Garra Amarela, tradicional inimigo de Nick Fury e do Capitão América. Em “Battle: Tooth and Yellow Claw!” (Batalha: Dente e Garra Amarela!) no #71 (novembro de 1974) Friederich e Tuska podem ser acusados de tudo, exceto monotonia: gosmas gigantes verdes, mini robôs explosivos e monstruosos besouros roxos fazem parte do arsenal do traiçoeiro Garra contra nosso herói, e a essa altura nosso querido Mandarim já estava no fundo de seu poço narrativo do qual só sairia  3 anos depois…

Iron Man #71 pgs 07, 14 & 23

Macróbios verdes, robôs explosivos e besouros gigantes: a dura vida de um superherói nos 70s [Iron Man #71, pgs 7, 14 & 23]

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O último arco dos anos 70 a contar com a presença do Mandarim é de certa forma especial pois faz parte da comemoração do centésimo número da revista do CabeçaIron Man #098 de Concha. Desenvolvido pelo roteirista Bill Mantlo, contando novamente com a arte dinâmica de George Tuska (que havia dado lugar a Arvell Jones do #73 ao #77, a Chic Stone nos #s 80-81 e a Herb Trimpe do # 82 ao #85 e #s 93-94) e artefinalizado por Don Perlin e depois novamente por Mike Esposito, o arco se inicia no #98 (maio de 1977) em Iron Man #099Sunfire Strikes Again!” (Sunfire Ataca Novamente!) e se intensifica no #99 (junho de 1977) em “At the Mercy of the Mandarin!” (À Mercê do Mandarim!) com a presença de um Mandarim de visual modernizado atacando e mandando novamente ao espaço um Homem de Ferro cuja armadura é vestida por Kevin O’Brian, amigo e funcionário de Stark em um repeteco do papel de Happy Hogan na década anterior.

Iron Man #100, pg 26Nunca é demais garantir o sucesso do “raio trator à base de repulsão eletromagnética” (como ninguém pensou nisso antes?) com um bom soco bem aplicado [Iron Man #100, pg 26]

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Aparentemente novas idéias estavam em falta e novamente Stark, vestindo uma armadura antiga, segue para o salvamento e para o confronto final com o Mandarim no #100 (julho de 1977), com umaIron Man #100 clássica capa de Barry Windsor-Smith) em “Ten Rings to Rule The World!” (Dez Anéis Para Dominar o Mundo!). Apesar de previsível a briga é boa e reminiscente dos antigos confrontos entre os personagens, com direito ao uso de todo o arsenal de diferenciados poderes dos anéis contra nosso herói, que não só vence como ainda se dá o luxo de desdenhar do Mandarim mandando-o refletir sobre o fato de que podia tê-lo matado mas não o fez por respeito à vida até do mais desprezível ser, o que aparentemente deixa o Mandarim preferindo a morte a ter que ouvir sermão…

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Iron Man #69, pg 32, Friederich & TuskaNada temam: ele não é chamado de invencível à toa… [TOS #69 pg 32]

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Na 3a e úitima parte desta matéria: a melhor estória com o vilão e todos os arcos restantes até nossos dias!

Iron Man #68, pg 23, Friederich & Tuska

2 Respostas to "Homem de Ferro versus Mandarim: Confrontos! (parte 2 de 3)"

[…] Na 2ª parte deste tema: os embates entre o Homem de Ferro e o Mandarim já em seu título próprio, do final dos 60s ao final dos 70s! […]

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[…] primeira e na segunda partes deste artigo discorremos sobre como uma discussão surgida no blog HQRock entre seu criador […]

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