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Homem de Ferro versus Mandarim: Confrontos! (parte 3 de 3)

Posted on: 28/12/2012


Na primeira e na segunda partes deste artigo discorremos sobre como uma discussão surgida no blog HQRock entre seu criador e redator Irapuan Peixoto e eu, sobre a participação do arqui-inimigo Mandarim no filme do Homem de Ferro 3, acabou por gerar as seguintes perguntas:

– O Mandarim é de fato o arquivilão definitivo para o Homem de Ferro?

– Qual a melhor estória envolvendo o vilão já publicada?

E por fim: como se sairá no cinema?

Os anéis do MandarimNo caso do Mandarim, vão-se os dedos mas ficam os anéis…

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Na intenção de respondê-las já vimos na parte 1 como o Mandarim se tornou o inimigo mais icônico do Homem de Ferro nos 60s, nas páginas de Tales of Suspense. Na parte 2 vimos como, apesar dos altos e baixos, consolidou-se como o principal vilão ao longo dos 70s. Na conclusão desta matéria veremos como, apesar de um fraco aproveitamento nos 80s, o Mandarim finalmente ganha sua melhor representação como o maior arqui-inimigo do Homem de Ferro na primeira metade dos 90s, nunca mais atingindo a mesma relevância desde então…

Iron Man v3 #09, pg 37, Busiek & Chen

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Consolidação e Modernidade

Iron Man #179Após o último arco da Era de Bronze em 1977, damos um salto até 1984 onde encontramos um novo time criativo composto pelo famoso roteirista Denny O’Neil, saído de longa contribuição para a Distinta Concorrência, e o competente desenhista Luke McDonnell artefinalizado pelo ótimo Steve Mitchell, em pleno desenvolvimento do segundo arco dramático envolvendo o alcoolismo de Tony Stark, dessa vez com consequências bem mais sérias do que as originalmente exploradas em 1979 (pela lendário equipe criativa Michelinie/Layton/Romita Jr) quando lutava contra outro grande inimigo, Justin Hammer. No #179 (fevereiro de 1984) nos deparamos com um Stark que não só perdeu sua empresa, sua fortuna e suas propriedades (sem saber que sua condiçãoIron Man #180 se deve agora ao seu mais recente inimigo corporativo, Obadiah Stane) como vive na rua perambulando como um sem-teto, atrás de bebida. Quem veste a armadura agora é James Rhodes, melhor amigo de Stark e seu colega desde os tempos de Vietnã, o qual em “Mission into Darkness” (Missão na Escuridão) é atacado pelo Homem Radioativo a serviço de um mestre misterioso que logo no início do #180 (março de 1984) em “This Ancient Enemy” (Este Inimigo Ancestral) revela-se ser o Mandarim (vestido no estilo excessivo dos 80’s) em busca de vingança pelas inúmeras e humilhantes derrotas perante seu maior adversário. Ao atrair e confrontar o Homem de Ferro, após uma boa briga à moda antiga este último revela-se um oponente decepcionante ao qual o Mandarim impõe uma derrota relativamente fácil, devido ao fato de Rhodes não ter experiência prévia no confronto com o vilão. Ao Iron Man #181forçar o Homem de Ferro a retirar seu capacete, o Mandarim revela um desprezo racista por encontrar um negro e não um branco como oponente, obrigando Rhodes, através de controle mental, a cortar sua própria garganta. O gancho se perpetua até a primeira página do #181 (abril de 1884) onde em “Though My Life Be Forfeit…” (Ainda Que Minha Vida Seja Perdida…) Rhodes reúne toda sua força de vontade para quebrar o domínio mental do Mandarim e fugir de sua fortaleza. Atacado por todo o arsenal aéreo do vilão numa batalha intensa, na verdade Rhodes não é páreo para o arqui-inimigo e o melhor que faz é conseguir sobreviver enquanto finalmente o Mandarim admite que, não defrontando seu verdadeiro e antigo inimigo, aquela batalha não lhe interessava mais…

Iron Man #180, pg 16, O'Neil & McDonnell

A influência de Kirby ainda corria nas veias da Marvel nos 80s (Iron Man #180, pg 16)

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Iron Man #241Iron Man #241, pg 09, Michelinie, Cowan & LaytonNo arco seguinte encontramos novamente a excepcional dupla criativa formada pelos roteiros de David Michelinie e a co-autoria dos argumentos e arte de Bob Layton, auxiliados pelo lápis de Denys Cowan no #241 (abril de 1989) e de Alan Kupperberg no #242 (maio de 1989). Apesar de talvez serem os artistas mais queridos em todos os tempos pelos fãs do Ferroso (ao lado de John Romita Jr em início de carreira)  por seu trabalho no fim dos 70s e início dos 80s, aqui a coisa não anda tão bem e eles cometem talvez a pior estória envolvendo o Mandarim já produzida. Influenciados provavelmente pelo fenômeno dos yuppies dos 80s e pelos ares da globalização que soprariam mais forte na década seguinte, em “In The Grip of The Mandarim” (Nas Garras do Mandarim) encontramos o vilão ora treinando uma equipe de combatentes na melhor tradição Shaolin, ora travestido de empresário e executivo. Atravessando os negócios de Stark em Hong Kong obriga-o, via rapto de seus amigos e consequente chantagem, a aceitar sua proposta: um duelo entre o Mandarim e o Homem de Ferro que valeria o controle das empresas Stark por um lado e a liberdade dos raptados e dos negócios em Hong Kong do outro. Com um detalhe: o confronto seria gravado eIron Man #242 televisionado e os direitos de exibição seriam exclusivos do Mandarim. O esforço de modernização do personagem é louvável e a luta ainda que ridiculamente “dirigida” por uma equipe cinematográfica não é das piores, mas o renovado Mandarim não é páreo para Stark, novamente no controle da armadura, e o resultado final da batalha não deixa de ser levemente patético. O que se salva da estória é seu final totalmente não relacionado ao vilão, onde num gancho eletrizante Stark é alvejado quase mortalmente por uma ex-namorada ciumenta o que o levará a tornar-se paraplégico, mas isso tudo fica uma outra oportunidade

Iron Man #242, pg 14, Michelinie, Kupperberg & LaytonUm duelo em vão, porém cinematográfico (Iron Man #242, pg 14)

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Iron Man #261, pg 29, Byrne & Romita Jr

Iron Man #271, pg 15, Byrne & RyanA fraqueza do último roteiro seria amplamente compensada no arco seguinte, naquele que pode ser considerado o melhor trabalho envolvendo o arqui-vilão. Méritos do genial John Byrne que voltou às raízes eIron Man #270 afinal nada mais fez do que uma releitura soberba e excepcionalmente bem narrada da origem do Mandarim, elaborada anteriormente de forma muito sucinta nos 60s por Stan Lee. Já a partir do arco imediatamente anterior (“Armor Wars II” – Guerra das Armaduras II) e auxiliado pela renovada arte de John Romita Jr finalizada brilhantemente por Bob WiacekByrne apresenta de forma lenta e contínua uma sub-trama envolvendo o Mandarim e um enigmático velho de barbicha e cachimbo de nome Chen Hsu o qual passa a revelar alguns dos verdadeiros segredos envolvendo os anéis, capazes de controlar os poderes de um gigantesco dragão adormecido no mesmo vale onde o Mandarim originalmente os havia descoberto. Aqui Byrne Iron Man #271perpetra um excelente retcon reintroduzindo um antigo personagem Marvel dos 50s, quando ainda se chamava Timely: o dragão Fin Fang Foom, cujo ridículoIron Man #272, pg 01, Byrne & Ryan nome é relativizado ante a aterradora escala com que Romita Jr consegue representá-lo. Através do crescente controle de seu poder, propiciado pela tutelagem de Chen Hsu, o Mandarim ameaça e amedronta o governo chinês, reclamando para si vastas porções de território e lá reerguendo seu castelo e seus domínios como nunca antes. Isso nos leva ao #270 (julho de 1991) já com a soberba arte de Paul Ryan ainda artefinalizado por Wyacek, onde em “The Price” (O Preço) tem início a excelente “Dragon Seed Saga” (Saga da Semente do Dragão). Stark teve ao longo dos anos sua saúde deteriorada: após receber um tiro de uma amante ciumenta, ficar paraplégico e ter sua condição corrigida por um chip implantado em sua colunaIron Man #272 vertebral, acabara de sair de uma batalha de vida ou morte contra um inimigoIron Man #272, pg 09, Byrne & Ryan desconhecido que havia infectado o chip e tomado controle se seu sistema nervoso. Mal escapando vivo, viaja à China em busca de uma das maiores especialistas em neurocirurgia, sua única esperança da cura. Depois da médica tê-lo examinado (e ter ela sido galanteada por Stark que, mesmo à beira da morte, não perde uma oportunidade), revela apenas ao alto comando chinês que o caso é incurável; porém interessa ao governo que ela o mantenha esperançoso e por isso os chineses propõem a troca da sua suposta cura pelo auxílio em derrotar o Mandarim por vias de seu maior inimigo, o Homem de Ferro, sem saber que ambos são a mesma pessoa e que estão pedindo a um moribundo lutar. Stark concorda mesmo assim mas é demovido à força por Rhodes que o põe para dormir com um sonífero e vai para o sacrifício em “The Deadly Claws of Fin Fang Foom” (As Garras Mortais de Fin Fang Foom), no # 271 Iron Man #273(agosto de 1991). A luta é feroz mas Rhodey não é páreo para os poderes combinados do dragão e do Mandarim, e quando Stark se dá conta do perigo que o amigo corre aciona sua armaduraIron Man #272, pg 29, Byrne & Ryan de telepresença e se engaja em um combate remoto. Em “The Dragon Seed” (A Semente do Dragão) no #272 (setembro de 1991) descobrimos que uma raça alienígena de dragões caiu na Terra com sua nave, cuja fonte de poder são os anéis, há milhares de anos atrás. Impossibilitados de voltarem ao espaço e hostilizados pelos humanos, utilizam seus poderes metamórficos e se disfarçam de humanos à espera de um momento em que possam se reorganizar e encontrar um maneira de dominar o planeta. Esse momento chegou por vias da manipulação do Mandarim que recolhera os anéis e achara que detinha a posse dos mesmos, sem saber toda a verdade sobre sua origem. No #273 (outubro deIron Man #274 1991), em Iron Man #273, pg 27, Byrne & RyanHere There Be Dragons” (Que Apareçam os Dragões) à medida que a armadura telepresente é derrotada pelo Mandarim devido ao delay na resposta entre o comando dado por Stark à distância e a reação em campo, inúmeros empresários, políticos e poderosos no mundo todo se libertam de sua falsa forma humana, assumem sua verdadeira forma dragonesca e se dirigem para o campo de batalha na China para surpresa do Mandarim, que em “Dragon Lord” (Senhor dos Dragões) no #274 (novembro de 1991) descobre que na verdade tem sido um peão nas mãos de Chen Hsu, revelado como o Dragão líder. O final apoteótico se dá no #275 (dezembro de 1991) em “Dragon Doom” (O Juízo Final dos Iron Man #275Dragões), onde um relutante Mandarim se alia à Stark, agora vestindo presencialmente sua armadura, numa batalha inglória contra a horda de dragões cujo poder bruto é insuperável, até que ouvem do dragão outrora Chen Hsu que um mero humano nunca seria capaz de liberar todo oIron Man #275, pg 20, Byrne & Ryan poder dos anéis. Inteligentemente Stark percebe que talvez sua armadura possa, e ante a recusa do Mandarim de entregá-los agarra à força suas mãos e detona um explosão gigantesca que dizima os inimigos, faz desaparecer o Mandarim e gera um imenso abismo onde antes havia uma montanha, para onde Stark é impedido de cair e resgatado por seu amigo Rhodes, mal recuperado do combate. Na cena final encontramos um Mandarim extremamente ferido e inconsciente, resgatado e tratado por camponeses que não fazem idéia de quem seja, sem sua mãos…

Iron Man #275, pg 29, Byrne & RyanUnindo forças à contragosto (Iron Man #275, pg 29)

Iron Man #273, pg 30, Byrne & RyanTendo relido este arco para a elaboração desta postagem, repito com todas as letras o que o Irapuan Peixoto levantou no seu blog: esta é de fato a melhor narrativa com o vilão, sem sombra de dúvida. Na época foi capaz de elevar a tal ponto o interesse pelos personagens que a Marvel resolve lançar uma animação 3 anos depois  (acompanhada de um título exclusivamente à ela dedicado) elegendo o Mandarim como principal inimigo e seus embates com o Homem de Ferro como único eixoIron Man on Marvel Action Hour 1994 - title sequence frame narrativo da primeira temporada, e por fim utilizando uma adaptação da Saga da Semente do Dragão como grand finale em dois episódios da segunda e última temporada.

Iron Man #311, pg 11, Kaminski & MorganApós isso somente em mais três ocasiões iremos encontrar o mais icônico inimigo do Homem de Ferro. Ainda nos 90s, sob a batuta do competente roteirista Len Kaminski e ilustrado pelo lápis cartunesco de Tom Morgan, iremos descobrir numa sub-trama em “Wired!” (Conectado!) no #307 (agosto de 1994) como o Mandarim havia se recobrado e surpreendentemente regenerado sua mãos que se revelam garras de dragão, para em “Terminal Emulation”  (Emulação Terminal) no #308 (setembro de 1994) Iron Man #311recobrar seus anéis perdidos na batalha anterior, bem como em “Signal to Noise” (Do Sinal ao Ruído) no #309 (outubro de 1994) recuperar seus antigos domínios e em “Friends… and Other Enemies” (Amigos… e Outros Inimigos) no #310 (novemnbro de 1994) revelar-se em meio a uma briga entre o Homem de Ferro e o Máquina de Combate como o verdadeiro adversário a ser batido. O confronto atinge seu clímax no #311 (dezembro de 1994) quando finalmente o Mandarim consegue aprisionar o Homem de Ferro e desmascará-lo, descobrindo de uma vez por todas que seu arqui-Iron Man #312inimigo e Tony Stark são a mesma pessoa. Após um crossover envolvendo as revistas do War Machine e Force Works, a minissérie denominada “Hands of the Mandarim” (Mãos do Mandarim) tem seu fim em “No Mercy” (Sem Piedade), onde Stark derrota o Mandarim ao infectá-lo com uma variante do mesmo tecnovírus que o havia contaminado antes, fazendo-o envelhecer e fenecer em segundos. Apesar da boa trama e boas cenas de ação, falta um polimento artístico e narrativo que sobrava no arco anterior sendo que este apenas pode ser considerado bom, na melhor das hipóteses…

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Iron Man v3 #09, pgs 24 & 25, Busiek & Chen

Iron Man v3 #09Após o desastroso arco “The Crossing” (A Encruzilhada) que se arrastou penosamente do #320 ao #332, o volume 1 da revista Iron Man se encerrava de forma melancólica para dar lugar ao volume 2, de curta duração devido à malfadada tentativa de reboot com “Heroes Reborn” (Heróis Renascem). A Marvel voltava aos trilhos da boa arte e narrativa ao trazer o consagrado roteirista Kurt Busiek e o novato e esplêndido desenhista Sean Chen para formar a nova equipe criativa do volume 3, os quais dedicam os #s 09 e 10 (outubro e novembro de 1998, com arte final de Eric Cannon e Sean Parsons) a um pequeno e ótimo arco chamado “Revenge of the Mandarin” (A Vingança do Mandarim) onde um Stark gravemente ferido e auxiliado pela Viúva Negra descobre ser o Mandarim a figura por trás de diversos ataques nos últimos tempos, partindo para a Rússia onde encontra a Guarda Invernal e em seguida para a Iron Man v3 #10China onde é capturado pela fortaleza voadora do Mandarim, obviamente construída na forma de um gigantesco dragão mecânico, apenas para ser facilmente derrotado. A conclusão se dá em “In the Belly of the Beast” (Na Barriga da Fera), onde um Mandarim magicamente renascido admite seu intuito de restaurar o feudalismo e imperialismo agora com a ajuda tecnológica provida pelos ocidentais, deixando-se ser derrotado por um quase depauperado Homem de Ferro o qual, antes de perder a consciência e ver seu inimigo desaparecer, se dá conta que o confronto fora um mero teste para um acerto de contas futuro.

Iron Man v3 #10, pg 38, Busiek & Chen

Uma impressionante atualização do tema do dragão (mais acima: Iron Man v3 #09, pgs 24-25; acima: v3 #10, pg 38, Busiek & Chen)

Iron Man v3 #53, pg 26, Grell & Odagawa

Herança de família (Iron Man v3 #53, pg 26)

Após isso há apenas uma citação indireta ao Mandarim, considerado ainda morto, no arco “Book of Ten Rings” (Livro dos Dez Anéis), do #53 ao #55 (junho-agosto de 2002) ainda no volume 3, pelo legendário Mike Grell nos roteiros e contando com a arte de Ryan Odagawa, Michael Ryan e Sean Parsons, onde Temugin, o filho do Mandarim, encontra as mãos e anéis do pai e sente-se na obrigação de continuar seu legado, demandando um confronto com o Homem de Ferro. Após um final explosivo e inconclusivo, a grande contribuição de Grell se dá numaIron Man v3 #53 estória secundária que apresenta uma grande mudança na narrativa: pela primeira vez Stark revela publicamente ser o Homem de Ferro, um gancho que serviu como influência direta para o final do primeiro filme do herói.

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Iron Man v5 #520A última aparição do Mandarim acabou de se dar na despedida do excelente time e criação composto por Matt Fraction e Salvador LaRocca no final do volume 5 de Iron Man, lançado este ano nos EUA e que começa a ser publicado no Brasil pela Panini em Homem de Ferro e Thor #32 (dezembro de 2012). Por esta mesma razão comentaremos apenas que o Mandarim retorna mais pragmático e niilista do que nunca, controlando mentalmente tanto Stark como vários de seus inimigos, dentre os quais alguns mais atuais como Ezekiel Stane e outrosIron Man v5 #525 mais clássicos como o Laser Vivo, obrigando-os a construir máquinas do juízo final que liberariam todo os poder dos anéis na destruição do núcleo da Terra. Apesar de alguns furos de roteiro e o andamento lento característico das estórias dessa fase, pode ser considerado um trabalho de bastante qualidade, sem no entanto tirar o merecido trono da saga de Byrne como a melhor narrativa já escrita envolvendo o Mandarim

Iron Man v5 #526, pg 11, Fraction & LaRocca

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Comentários finais

Tendo recebido de seu pai, um self-made man que ascendeu à elite por meios de sua genialidade em apoio ao complexo militar-tecnológico norte-americano, a herança de um país vitorioso na 2a Grande Guerra Mundial, Anthony Stark/Homem de Ferro representa muito bem a geração baby-boomer e as contradições dos EUA ao longo da segunda metade do séc. XX, onde caminham lado a lado a pujança econômica e tecnológica, libertarismo e igualitarismo de mãos dadas com truculência ideológica, militar e capitalista mais selvagem. Por outro lado o Mandarim, cujo nome significa senhor feudal chinês, simboliza muito bem um projeto ancestral de dominação imperial onde não há lugar para igualitarismos de gênero, raça ou classe e onde qualquer tecnologia está à serviço de dominação e controle: o pesadelo de um mundo hierarquizado e submetido à vontade de uma casta ou de um dono e senhor. A dinâmica do embate entre entre os personagens pode muito bem servir de símbolo para aquilo que Samuel Huntington denominou Choque de Civilizações e, quer isso de fato esteja em curso ou não, permite aos roteiristas e artistas envolvidos um bom pano de fundo para estórias carregadas de significado e contemporaneidade.

Iron Man v3 #53, pg 03, Grell & Odagawa

Com relação ao aspecto estrito e intrínseco ao universo e à narrativa do Homem de Ferro, inúmeros personagens tomaram o lugar de principal adversário ao longo dos anos ao oferecerem grandes desafios ora físicos,  ora psicológicos ou corporativos. Nesse sentido talvez Obadiah Stane ou Justin Hammer possam ser considerados os maiores, pois almejam não só derrotar Stark como tomar para si tudo o que representa e possui. No viés psicológico o maior inimigo de todos sempre foi o alcoolismo sem sombra de dúvida, momento onde a narrativa encontra seu o mais alto nível de realismo, dramaticidade e relevância. E inimigos como o Homem de Titânio e Dínamo Vermelho no passado remoto, o Fantasma e Poder de Fogo num momento posterior, ou ainda Norman Osborn e Ezekiel Stane mais recentemente foram grandes desafios que geraram estórias e embates memoráveis. Uma grande sacada foi sem dúvida a introdução do Dr Destino como inimigo do Homem de Ferro nos 80s: saído das páginas do Quarteto Fantástico e tendo um intelecto á altura de Reed Richards, maior cérebro do universo Marvel, tornou-se um fabuloso inimigo para Stark tanto do ponto de vista tecnológico como estratégico. Porém nenhum deles reúne tantas condições como o Mandarim para o posto de nêmesis do Homem de Ferro: com grande influência de Fu Manchu na sua criação, misturado a um tanto de Dr. No e uma pitada de Dr. Evil, o Mandarim é definitivamente o vilão que amamos odiar, o que deve servir como garantia de sucesso para sua contraparte cinematográfica…

Iron Man #272, pg 27, Byrne & Ryan

BÔNUS!

Relembre algumas curiosidades e teste seu conhecimento sobre os confrontos entre o Homem de Ferro e o Mandarim:

Quiz!

Iron Man #180, pg 21, O'Neil & McDonnell

8 Respostas to "Homem de Ferro versus Mandarim: Confrontos! (parte 3 de 3)"

[…] 3a e úitima parte desta matéria: a melhor estória com o vilão e todos os arcos restantes até nossos […]

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[…] na 3a e úitima parte desta matéria: a melhor estória com o vilão e todos os arcos restantes até nossos […]

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ACERTEI 100 % DO QUIZ \o/

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Nuessa! Por essa eu não esperava, hehe… parabéns! Vc é uma especialista em Mandarim! hehe…

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kkkkkkkkkkk

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[…] Para surpresa dos fãs do personagem, logo após o sucesso dos desenhos animados do Homem-Aranha e dos X-Men para a Fox nos anos 90 a Marvel resolveu investir em mais um bloco de animação nas manhãs de sábado e os escolhidos para essa fase que foi ao ar em duas temporadas de 1994 a 1996 foram o Quarteto Fantástico e o nosso Vingador Dourado. Após alguns equívocos cometidos na primeira temporada tais como a qualidade um pouco mais baixa de animação, o uso de um tom mais infantil nos roteiros e um elenco fixo subaproveitado, tanto de heróis (inspirado nos quadrinhos da Força-Tarefa, formação de relativa pouca duração criada em substituição aos Vingadores da Costa Oeste cujo título havia sido recém cancelado, nos EUA) quanto de vilões (um apanhado daqueles de segunda classe saídos das páginas do Homem de Ferro comandados pelo Mandarim, secundado por um Modok para lá de caricato), os produtores acertaram a mão na segunda temporada.  Uma animação bem mais caprichada e roteiros diretamente inspirados em bons arcos das HQs na sua maioria fizeram a temporada atingir o ápice no duplo episódio final baseado na ótima Saga da Semente do Dragão, cujo arco já fora comentado anteriormente. […]

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Parabéns pelo post, sensacional!

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Muito obrigado MegaZeppelin! Um grande abraço!

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