Jetstortopia

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Fleer_Skybox_logoA partir de 1990 a Marvel apostou alto no ramo de cards colecionáveis publicando seus personagens em várias séries de alta qualidade, através do selo Fleer/Skybox.

Segue abaixo a primeira parte dos scans de cards do Homem de Ferro com material produzido por artistas do porte de George Perez, Kevin Hopgood e Pat Oliffe dentre outros, publicados entre 1994 e 1996 quando sua popularidade estava em alta devido à promoção da Marvel Action Hourseguimento televisivo que levou ao ar por duas temporadas novos desenhos animados do personagem em conjunto com o Quarteto Fantástico.

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Iron Man 90s cards 01fwIron Man 90s cards 01tw

Iron Man @ Freeze Frames #8, 1994 – arte por Pat Olliffe

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Iron Man @ Marvel Cards Super Heroes #161, 1994 – arte por George Perez

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Iron Man Crash & Burn #80, 1994 – arte por Kevin Hopgood

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Iron Man Crash & Burn #75, 1994 – arte por Kevin Hopgood

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War Machine @ Marvel Cards Super Heroes #164, 1994 – arte por Gabriel Gecko & Mike McKenna

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War Machine @ Marvel Masterpieces #133, 1994 – arte por Tim & Greg Hildebrandt

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Invincible Iron Man #1 (2015)

Invincible Iron Man #1 02

Invincible Iron Man #1, página 07

A Marvel acaba de lançar hoje Invincible Iron Man #1 (2015), reboot do título do Homem de Ferro novamente com o epíteto Invencível e com equipe criativa renovada, composta pelo estrelado roteirista Brian Michael Bendis (Vingadores, X-Men) e pelo desenhista David Marquez (Ultimate Spider Man) – e o resultado parece promissor.

Saído da recente saga Secret Wars e aparentemente tendo superado sua aversiva fase Superior, onde sua arrogância e prepotência atingiram limites nunca antes imaginados, o atual Tony Stark retém elementos de arcos recentes com detalhes trazidos do cinema, como uma nova inteligência artificial a auxiliá-lo.

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Invincible Iron Man #1 03

Invincible Iron Man #1, página 15

Apresentando uma armadura renovada que combina características contemporâneas com detalhes que remetem ao design da armadura modular dos anos 90, a estranheza inicial é logo superada pela arte dinâmica e pelo colorido vibrante, que agradam bastante por não sucumbir a um design excessivamente realista e sombrio que muitas vezes prevaleceu na última década.

Por fim a volta de dois inimigos clássicos sendo um deles Madame Masque, a qual logo nas primeiras páginas se mostra mais atraente e letal do que nunca, garante uma estréia que merece ser conferida – seja no original ou quando de sua publicação no Brasil, pela Panini.


Iron Girl - Bogdanbl4

A dica é do meu amigo Hugo, do blog parceiro Troopeiro – o site Game Artisans promove anualmente o Comicon Challenge, um concurso entre seus artistas que é:

Um desafio de fãs focado no que inspira e influencia a mente de milhões – quadrinhos. A cada ano os artistas do Game Artisans tem sete semanas para criar seu herói ou vilão favorito, com uma pegada – seja uma mudança de idade, mudança de gênero ou mudança total, a Comicon Challenge oferece a oportunidade ao artista de mostrar sua habilidade em criar algo original e novo [traduzido de Sobre a Comicon Challenge]

A edição deste ano mostra artes realmente incríveis – o blog destaca a Mulher Maravilha por Rayph, Iron Girl por Bogdanbl4, o Exterminador por Baj Singh e Lady Mechanika por Karambola – vistas abaixo:

Wonder Woman by Rayph

Iron Girl by Bogdanbl4

Deathstroke por Baj Singh

Lady Mechanika by Karambola

 

 


Filha geek e pai nerd ou vice-versa? O que importa é que tivemos um lindo almoço de domingo em família e ganhei o melhor presente para meus cafés da manhã ou da tarde – agora posso tomar um cafezinho lendo Superman e Batman Golden Age!

Dia dos Pais 11-08-2013

Nas xícaras à E a arte clássica de Al Plastino (1921) e Sheldon Moldoff (1920-2012), grandes artistas de Superman e Batman da Era de Ouro, respectivamente; na caixa à D a bela arte de Dick Giordano (1932-2010), já na Era de Bronze


Na primeira e na segunda partes deste artigo discorremos sobre como uma discussão surgida no blog HQRock entre seu criador e redator Irapuan Peixoto e eu, sobre a participação do arqui-inimigo Mandarim no filme do Homem de Ferro 3, acabou por gerar as seguintes perguntas:

– O Mandarim é de fato o arquivilão definitivo para o Homem de Ferro?

– Qual a melhor estória envolvendo o vilão já publicada?

E por fim: como se sairá no cinema?

Os anéis do MandarimNo caso do Mandarim, vão-se os dedos mas ficam os anéis…

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Na intenção de respondê-las já vimos na parte 1 como o Mandarim se tornou o inimigo mais icônico do Homem de Ferro nos 60s, nas páginas de Tales of Suspense. Na parte 2 vimos como, apesar dos altos e baixos, consolidou-se como o principal vilão ao longo dos 70s. Na conclusão desta matéria veremos como, apesar de um fraco aproveitamento nos 80s, o Mandarim finalmente ganha sua melhor representação como o maior arqui-inimigo do Homem de Ferro na primeira metade dos 90s, nunca mais atingindo a mesma relevância desde então…

Iron Man v3 #09, pg 37, Busiek & Chen

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Consolidação e Modernidade

Iron Man #179Após o último arco da Era de Bronze em 1977, damos um salto até 1984 onde encontramos um novo time criativo composto pelo famoso roteirista Denny O’Neil, saído de longa contribuição para a Distinta Concorrência, e o competente desenhista Luke McDonnell artefinalizado pelo ótimo Steve Mitchell, em pleno desenvolvimento do segundo arco dramático envolvendo o alcoolismo de Tony Stark, dessa vez com consequências bem mais sérias do que as originalmente exploradas em 1979 (pela lendário equipe criativa Michelinie/Layton/Romita Jr) quando lutava contra outro grande inimigo, Justin Hammer. No #179 (fevereiro de 1984) nos deparamos com um Stark que não só perdeu sua empresa, sua fortuna e suas propriedades (sem saber que sua condiçãoIron Man #180 se deve agora ao seu mais recente inimigo corporativo, Obadiah Stane) como vive na rua perambulando como um sem-teto, atrás de bebida. Quem veste a armadura agora é James Rhodes, melhor amigo de Stark e seu colega desde os tempos de Vietnã, o qual em “Mission into Darkness” (Missão na Escuridão) é atacado pelo Homem Radioativo a serviço de um mestre misterioso que logo no início do #180 (março de 1984) em “This Ancient Enemy” (Este Inimigo Ancestral) revela-se ser o Mandarim (vestido no estilo excessivo dos 80’s) em busca de vingança pelas inúmeras e humilhantes derrotas perante seu maior adversário. Ao atrair e confrontar o Homem de Ferro, após uma boa briga à moda antiga este último revela-se um oponente decepcionante ao qual o Mandarim impõe uma derrota relativamente fácil, devido ao fato de Rhodes não ter experiência prévia no confronto com o vilão. Ao Iron Man #181forçar o Homem de Ferro a retirar seu capacete, o Mandarim revela um desprezo racista por encontrar um negro e não um branco como oponente, obrigando Rhodes, através de controle mental, a cortar sua própria garganta. O gancho se perpetua até a primeira página do #181 (abril de 1884) onde em “Though My Life Be Forfeit…” (Ainda Que Minha Vida Seja Perdida…) Rhodes reúne toda sua força de vontade para quebrar o domínio mental do Mandarim e fugir de sua fortaleza. Atacado por todo o arsenal aéreo do vilão numa batalha intensa, na verdade Rhodes não é páreo para o arqui-inimigo e o melhor que faz é conseguir sobreviver enquanto finalmente o Mandarim admite que, não defrontando seu verdadeiro e antigo inimigo, aquela batalha não lhe interessava mais…

Iron Man #180, pg 16, O'Neil & McDonnell

A influência de Kirby ainda corria nas veias da Marvel nos 80s (Iron Man #180, pg 16)

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Iron Man #241Iron Man #241, pg 09, Michelinie, Cowan & LaytonNo arco seguinte encontramos novamente a excepcional dupla criativa formada pelos roteiros de David Michelinie e a co-autoria dos argumentos e arte de Bob Layton, auxiliados pelo lápis de Denys Cowan no #241 (abril de 1989) e de Alan Kupperberg no #242 (maio de 1989). Apesar de talvez serem os artistas mais queridos em todos os tempos pelos fãs do Ferroso (ao lado de John Romita Jr em início de carreira)  por seu trabalho no fim dos 70s e início dos 80s, aqui a coisa não anda tão bem e eles cometem talvez a pior estória envolvendo o Mandarim já produzida. Influenciados provavelmente pelo fenômeno dos yuppies dos 80s e pelos ares da globalização que soprariam mais forte na década seguinte, em “In The Grip of The Mandarim” (Nas Garras do Mandarim) encontramos o vilão ora treinando uma equipe de combatentes na melhor tradição Shaolin, ora travestido de empresário e executivo. Atravessando os negócios de Stark em Hong Kong obriga-o, via rapto de seus amigos e consequente chantagem, a aceitar sua proposta: um duelo entre o Mandarim e o Homem de Ferro que valeria o controle das empresas Stark por um lado e a liberdade dos raptados e dos negócios em Hong Kong do outro. Com um detalhe: o confronto seria gravado eIron Man #242 televisionado e os direitos de exibição seriam exclusivos do Mandarim. O esforço de modernização do personagem é louvável e a luta ainda que ridiculamente “dirigida” por uma equipe cinematográfica não é das piores, mas o renovado Mandarim não é páreo para Stark, novamente no controle da armadura, e o resultado final da batalha não deixa de ser levemente patético. O que se salva da estória é seu final totalmente não relacionado ao vilão, onde num gancho eletrizante Stark é alvejado quase mortalmente por uma ex-namorada ciumenta o que o levará a tornar-se paraplégico, mas isso tudo fica uma outra oportunidade

Iron Man #242, pg 14, Michelinie, Kupperberg & LaytonUm duelo em vão, porém cinematográfico (Iron Man #242, pg 14)

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Iron Man #261, pg 29, Byrne & Romita Jr

Iron Man #271, pg 15, Byrne & RyanA fraqueza do último roteiro seria amplamente compensada no arco seguinte, naquele que pode ser considerado o melhor trabalho envolvendo o arqui-vilão. Méritos do genial John Byrne que voltou às raízes eIron Man #270 afinal nada mais fez do que uma releitura soberba e excepcionalmente bem narrada da origem do Mandarim, elaborada anteriormente de forma muito sucinta nos 60s por Stan Lee. Já a partir do arco imediatamente anterior (“Armor Wars II” – Guerra das Armaduras II) e auxiliado pela renovada arte de John Romita Jr finalizada brilhantemente por Bob WiacekByrne apresenta de forma lenta e contínua uma sub-trama envolvendo o Mandarim e um enigmático velho de barbicha e cachimbo de nome Chen Hsu o qual passa a revelar alguns dos verdadeiros segredos envolvendo os anéis, capazes de controlar os poderes de um gigantesco dragão adormecido no mesmo vale onde o Mandarim originalmente os havia descoberto. Aqui Byrne Iron Man #271perpetra um excelente retcon reintroduzindo um antigo personagem Marvel dos 50s, quando ainda se chamava Timely: o dragão Fin Fang Foom, cujo ridículoIron Man #272, pg 01, Byrne & Ryan nome é relativizado ante a aterradora escala com que Romita Jr consegue representá-lo. Através do crescente controle de seu poder, propiciado pela tutelagem de Chen Hsu, o Mandarim ameaça e amedronta o governo chinês, reclamando para si vastas porções de território e lá reerguendo seu castelo e seus domínios como nunca antes. Isso nos leva ao #270 (julho de 1991) já com a soberba arte de Paul Ryan ainda artefinalizado por Wyacek, onde em “The Price” (O Preço) tem início a excelente “Dragon Seed Saga” (Saga da Semente do Dragão). Stark teve ao longo dos anos sua saúde deteriorada: após receber um tiro de uma amante ciumenta, ficar paraplégico e ter sua condição corrigida por um chip implantado em sua colunaIron Man #272 vertebral, acabara de sair de uma batalha de vida ou morte contra um inimigoIron Man #272, pg 09, Byrne & Ryan desconhecido que havia infectado o chip e tomado controle se seu sistema nervoso. Mal escapando vivo, viaja à China em busca de uma das maiores especialistas em neurocirurgia, sua única esperança da cura. Depois da médica tê-lo examinado (e ter ela sido galanteada por Stark que, mesmo à beira da morte, não perde uma oportunidade), revela apenas ao alto comando chinês que o caso é incurável; porém interessa ao governo que ela o mantenha esperançoso e por isso os chineses propõem a troca da sua suposta cura pelo auxílio em derrotar o Mandarim por vias de seu maior inimigo, o Homem de Ferro, sem saber que ambos são a mesma pessoa e que estão pedindo a um moribundo lutar. Stark concorda mesmo assim mas é demovido à força por Rhodes que o põe para dormir com um sonífero e vai para o sacrifício em “The Deadly Claws of Fin Fang Foom” (As Garras Mortais de Fin Fang Foom), no # 271 Iron Man #273(agosto de 1991). A luta é feroz mas Rhodey não é páreo para os poderes combinados do dragão e do Mandarim, e quando Stark se dá conta do perigo que o amigo corre aciona sua armaduraIron Man #272, pg 29, Byrne & Ryan de telepresença e se engaja em um combate remoto. Em “The Dragon Seed” (A Semente do Dragão) no #272 (setembro de 1991) descobrimos que uma raça alienígena de dragões caiu na Terra com sua nave, cuja fonte de poder são os anéis, há milhares de anos atrás. Impossibilitados de voltarem ao espaço e hostilizados pelos humanos, utilizam seus poderes metamórficos e se disfarçam de humanos à espera de um momento em que possam se reorganizar e encontrar um maneira de dominar o planeta. Esse momento chegou por vias da manipulação do Mandarim que recolhera os anéis e achara que detinha a posse dos mesmos, sem saber toda a verdade sobre sua origem. No #273 (outubro deIron Man #274 1991), em Iron Man #273, pg 27, Byrne & RyanHere There Be Dragons” (Que Apareçam os Dragões) à medida que a armadura telepresente é derrotada pelo Mandarim devido ao delay na resposta entre o comando dado por Stark à distância e a reação em campo, inúmeros empresários, políticos e poderosos no mundo todo se libertam de sua falsa forma humana, assumem sua verdadeira forma dragonesca e se dirigem para o campo de batalha na China para surpresa do Mandarim, que em “Dragon Lord” (Senhor dos Dragões) no #274 (novembro de 1991) descobre que na verdade tem sido um peão nas mãos de Chen Hsu, revelado como o Dragão líder. O final apoteótico se dá no #275 (dezembro de 1991) em “Dragon Doom” (O Juízo Final dos Iron Man #275Dragões), onde um relutante Mandarim se alia à Stark, agora vestindo presencialmente sua armadura, numa batalha inglória contra a horda de dragões cujo poder bruto é insuperável, até que ouvem do dragão outrora Chen Hsu que um mero humano nunca seria capaz de liberar todo oIron Man #275, pg 20, Byrne & Ryan poder dos anéis. Inteligentemente Stark percebe que talvez sua armadura possa, e ante a recusa do Mandarim de entregá-los agarra à força suas mãos e detona um explosão gigantesca que dizima os inimigos, faz desaparecer o Mandarim e gera um imenso abismo onde antes havia uma montanha, para onde Stark é impedido de cair e resgatado por seu amigo Rhodes, mal recuperado do combate. Na cena final encontramos um Mandarim extremamente ferido e inconsciente, resgatado e tratado por camponeses que não fazem idéia de quem seja, sem sua mãos…

Iron Man #275, pg 29, Byrne & RyanUnindo forças à contragosto (Iron Man #275, pg 29)

Iron Man #273, pg 30, Byrne & RyanTendo relido este arco para a elaboração desta postagem, repito com todas as letras o que o Irapuan Peixoto levantou no seu blog: esta é de fato a melhor narrativa com o vilão, sem sombra de dúvida. Na época foi capaz de elevar a tal ponto o interesse pelos personagens que a Marvel resolve lançar uma animação 3 anos depois  (acompanhada de um título exclusivamente à ela dedicado) elegendo o Mandarim como principal inimigo e seus embates com o Homem de Ferro como único eixoIron Man on Marvel Action Hour 1994 - title sequence frame narrativo da primeira temporada, e por fim utilizando uma adaptação da Saga da Semente do Dragão como grand finale em dois episódios da segunda e última temporada.

Iron Man #311, pg 11, Kaminski & MorganApós isso somente em mais três ocasiões iremos encontrar o mais icônico inimigo do Homem de Ferro. Ainda nos 90s, sob a batuta do competente roteirista Len Kaminski e ilustrado pelo lápis cartunesco de Tom Morgan, iremos descobrir numa sub-trama em “Wired!” (Conectado!) no #307 (agosto de 1994) como o Mandarim havia se recobrado e surpreendentemente regenerado sua mãos que se revelam garras de dragão, para em “Terminal Emulation”  (Emulação Terminal) no #308 (setembro de 1994) Iron Man #311recobrar seus anéis perdidos na batalha anterior, bem como em “Signal to Noise” (Do Sinal ao Ruído) no #309 (outubro de 1994) recuperar seus antigos domínios e em “Friends… and Other Enemies” (Amigos… e Outros Inimigos) no #310 (novemnbro de 1994) revelar-se em meio a uma briga entre o Homem de Ferro e o Máquina de Combate como o verdadeiro adversário a ser batido. O confronto atinge seu clímax no #311 (dezembro de 1994) quando finalmente o Mandarim consegue aprisionar o Homem de Ferro e desmascará-lo, descobrindo de uma vez por todas que seu arqui-Iron Man #312inimigo e Tony Stark são a mesma pessoa. Após um crossover envolvendo as revistas do War Machine e Force Works, a minissérie denominada “Hands of the Mandarim” (Mãos do Mandarim) tem seu fim em “No Mercy” (Sem Piedade), onde Stark derrota o Mandarim ao infectá-lo com uma variante do mesmo tecnovírus que o havia contaminado antes, fazendo-o envelhecer e fenecer em segundos. Apesar da boa trama e boas cenas de ação, falta um polimento artístico e narrativo que sobrava no arco anterior sendo que este apenas pode ser considerado bom, na melhor das hipóteses…

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Iron Man v3 #09, pgs 24 & 25, Busiek & Chen

Iron Man v3 #09Após o desastroso arco “The Crossing” (A Encruzilhada) que se arrastou penosamente do #320 ao #332, o volume 1 da revista Iron Man se encerrava de forma melancólica para dar lugar ao volume 2, de curta duração devido à malfadada tentativa de reboot com “Heroes Reborn” (Heróis Renascem). A Marvel voltava aos trilhos da boa arte e narrativa ao trazer o consagrado roteirista Kurt Busiek e o novato e esplêndido desenhista Sean Chen para formar a nova equipe criativa do volume 3, os quais dedicam os #s 09 e 10 (outubro e novembro de 1998, com arte final de Eric Cannon e Sean Parsons) a um pequeno e ótimo arco chamado “Revenge of the Mandarin” (A Vingança do Mandarim) onde um Stark gravemente ferido e auxiliado pela Viúva Negra descobre ser o Mandarim a figura por trás de diversos ataques nos últimos tempos, partindo para a Rússia onde encontra a Guarda Invernal e em seguida para a Iron Man v3 #10China onde é capturado pela fortaleza voadora do Mandarim, obviamente construída na forma de um gigantesco dragão mecânico, apenas para ser facilmente derrotado. A conclusão se dá em “In the Belly of the Beast” (Na Barriga da Fera), onde um Mandarim magicamente renascido admite seu intuito de restaurar o feudalismo e imperialismo agora com a ajuda tecnológica provida pelos ocidentais, deixando-se ser derrotado por um quase depauperado Homem de Ferro o qual, antes de perder a consciência e ver seu inimigo desaparecer, se dá conta que o confronto fora um mero teste para um acerto de contas futuro.

Iron Man v3 #10, pg 38, Busiek & Chen

Uma impressionante atualização do tema do dragão (mais acima: Iron Man v3 #09, pgs 24-25; acima: v3 #10, pg 38, Busiek & Chen)

Iron Man v3 #53, pg 26, Grell & Odagawa

Herança de família (Iron Man v3 #53, pg 26)

Após isso há apenas uma citação indireta ao Mandarim, considerado ainda morto, no arco “Book of Ten Rings” (Livro dos Dez Anéis), do #53 ao #55 (junho-agosto de 2002) ainda no volume 3, pelo legendário Mike Grell nos roteiros e contando com a arte de Ryan Odagawa, Michael Ryan e Sean Parsons, onde Temugin, o filho do Mandarim, encontra as mãos e anéis do pai e sente-se na obrigação de continuar seu legado, demandando um confronto com o Homem de Ferro. Após um final explosivo e inconclusivo, a grande contribuição de Grell se dá numaIron Man v3 #53 estória secundária que apresenta uma grande mudança na narrativa: pela primeira vez Stark revela publicamente ser o Homem de Ferro, um gancho que serviu como influência direta para o final do primeiro filme do herói.

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Iron Man v5 #520A última aparição do Mandarim acabou de se dar na despedida do excelente time e criação composto por Matt Fraction e Salvador LaRocca no final do volume 5 de Iron Man, lançado este ano nos EUA e que começa a ser publicado no Brasil pela Panini em Homem de Ferro e Thor #32 (dezembro de 2012). Por esta mesma razão comentaremos apenas que o Mandarim retorna mais pragmático e niilista do que nunca, controlando mentalmente tanto Stark como vários de seus inimigos, dentre os quais alguns mais atuais como Ezekiel Stane e outrosIron Man v5 #525 mais clássicos como o Laser Vivo, obrigando-os a construir máquinas do juízo final que liberariam todo os poder dos anéis na destruição do núcleo da Terra. Apesar de alguns furos de roteiro e o andamento lento característico das estórias dessa fase, pode ser considerado um trabalho de bastante qualidade, sem no entanto tirar o merecido trono da saga de Byrne como a melhor narrativa já escrita envolvendo o Mandarim

Iron Man v5 #526, pg 11, Fraction & LaRocca

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Comentários finais

Tendo recebido de seu pai, um self-made man que ascendeu à elite por meios de sua genialidade em apoio ao complexo militar-tecnológico norte-americano, a herança de um país vitorioso na 2a Grande Guerra Mundial, Anthony Stark/Homem de Ferro representa muito bem a geração baby-boomer e as contradições dos EUA ao longo da segunda metade do séc. XX, onde caminham lado a lado a pujança econômica e tecnológica, libertarismo e igualitarismo de mãos dadas com truculência ideológica, militar e capitalista mais selvagem. Por outro lado o Mandarim, cujo nome significa senhor feudal chinês, simboliza muito bem um projeto ancestral de dominação imperial onde não há lugar para igualitarismos de gênero, raça ou classe e onde qualquer tecnologia está à serviço de dominação e controle: o pesadelo de um mundo hierarquizado e submetido à vontade de uma casta ou de um dono e senhor. A dinâmica do embate entre entre os personagens pode muito bem servir de símbolo para aquilo que Samuel Huntington denominou Choque de Civilizações e, quer isso de fato esteja em curso ou não, permite aos roteiristas e artistas envolvidos um bom pano de fundo para estórias carregadas de significado e contemporaneidade.

Iron Man v3 #53, pg 03, Grell & Odagawa

Com relação ao aspecto estrito e intrínseco ao universo e à narrativa do Homem de Ferro, inúmeros personagens tomaram o lugar de principal adversário ao longo dos anos ao oferecerem grandes desafios ora físicos,  ora psicológicos ou corporativos. Nesse sentido talvez Obadiah Stane ou Justin Hammer possam ser considerados os maiores, pois almejam não só derrotar Stark como tomar para si tudo o que representa e possui. No viés psicológico o maior inimigo de todos sempre foi o alcoolismo sem sombra de dúvida, momento onde a narrativa encontra seu o mais alto nível de realismo, dramaticidade e relevância. E inimigos como o Homem de Titânio e Dínamo Vermelho no passado remoto, o Fantasma e Poder de Fogo num momento posterior, ou ainda Norman Osborn e Ezekiel Stane mais recentemente foram grandes desafios que geraram estórias e embates memoráveis. Uma grande sacada foi sem dúvida a introdução do Dr Destino como inimigo do Homem de Ferro nos 80s: saído das páginas do Quarteto Fantástico e tendo um intelecto á altura de Reed Richards, maior cérebro do universo Marvel, tornou-se um fabuloso inimigo para Stark tanto do ponto de vista tecnológico como estratégico. Porém nenhum deles reúne tantas condições como o Mandarim para o posto de nêmesis do Homem de Ferro: com grande influência de Fu Manchu na sua criação, misturado a um tanto de Dr. No e uma pitada de Dr. Evil, o Mandarim é definitivamente o vilão que amamos odiar, o que deve servir como garantia de sucesso para sua contraparte cinematográfica…

Iron Man #272, pg 27, Byrne & Ryan

BÔNUS!

Relembre algumas curiosidades e teste seu conhecimento sobre os confrontos entre o Homem de Ferro e o Mandarim:

Quiz!

Iron Man #180, pg 21, O'Neil & McDonnell


Na primeira parte deste artigo discorremos sobre como uma discussão surgida no blog HQRock, entre seu criador e redator Irapuan Peixoto e eu, sobre a participação do arqui-inimigo Mandarim no filme do Homem de Ferro 3, acabou por gerar as seguintes perguntas:

– O Mandarim é de fato o arquivilão definitivo para o Homem de Ferro?

– Qual a melhor estória envolvendo o vilão já publicada?

E por fim: como se sairá no cinema?

Ben Kingskey, MandarimNa intenção de respondê-las já vimos na parte 1 como o Mandarim se tornou o inimigo mais icônico e recorrente nas estórias do Homem de Ferro nos 60s, nas páginas de Tales of Suspense. A seguir veremos que há um longo caminho até que a melhor estória envolvendo o personagem venha a ser de fato realizada…

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Altos e Baixos

Iron Man #009Em maio de 1968 finalmente o Homem de Ferro ganha um título próprio e uma nova e vibrante equipe criativa, composta pelo lápis dinâmico de George Tuska em seus melhores momentos, arte finalizado e algumas vezes substituído pelo competente e agradável traço de Johnny Craig, e pelo ótimo roteirista Archie Goodwin. E com essa infusão de nova energia criativa típica da Era de Bronze somos apresentados a um dos melhores arcos com a participação do Mandarim, nos #s 9-11 (janeiro-março de 1969). No início da trama de “There Lives a Green Goliath” (E Vive um Golias Verde) somos apresentados a uma bela oriental à serviço de um misterioso mestre que é capaz de comandar nada menos do que o incrível Hulk, o qual rapta a namorada de então de Tony Stark, JaniceIron Man #010 Cord,  e obriga o Homem de Ferro a entrar na batalha apenas para descobrir que não se tratava do verdadeiro anti-herói verde e sim de um robô. Nesta altura o tal mestre revela-se ser ninguém menos que o Mandarim o qual, após tantos embates, finalmente anda desconfiado que Stark e o Homem de Ferro são a mesma pessoa e resolve por em ação um plano para desmascará-lo. Em “Once More… The Mandarim!” (Uma Vez Mais… O Mandarim!) a trama se adensa e com a ajuda de Mei Ling, a bela oriental apaixonada por seu mestre, o Mandarim prepara uma cilada e atrai o Homem de Ferro para um campo de estase onde seu capacete é arrancado no último quadrinho, num gancho memorável que deu origem a uma das capas mais icônicas da época no número seguinte, cuja estória não à toa se chama Iron Man #011Unmasked!” (Desmascarado!).  Ocorre que Stark que não era bobo nem nada estava preparado para tudo isso, e além de usar uma máscara revelando uma face que não a sua quando o capacete lhe foi arrancado, utilizou pela primeira um LMD (=Life Mode DecoyModelo Simulador de Vida), um robô com sua aparência que fazia crer que ele e seu alter-ego eram pessoas distintas, recurso que se tornaria usual a partir de então para solução dos problemas relativos à identidade secreta. Na batalha final entre o Mandarim e o Homem de Ferro o primeiro usa Janice Cord como refém mas é derrotado por sua própria assistente Mei Ling, que se sacrifica para ajudar o Homem de Ferro ao perceber a frieza e vilania de seu amado! Com estórias como essa, quem precisava na época assistir novela…

Iron Man #11, pg 17 & 18, Goodwin & Tuska

Decupagem assimétrica dos quadrinhos: tensão gráfica à serviço da ação [Iron Man #11, pgs 17 & 18]

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O próximo arco encontra o mesmo Tuska nos layouts, agora com arte-final dos veteranos Mike Esposito e Frank Giacoia, porém o roteiro é de ninguém menos do que Steve Gerber que maisIron Man #057 tarde se notabilizaria pela criação de Howard, The Duck. Talvez premido pelo esgotamento da fórmula clássica dos embates entre o Mandarim e o Homem de Ferro, em “Strike!” (Greve!) no #57 (abril de 1973) Gerber procura dar um ar de modernidade à trama, a qual infelizmente não é das mais inspiradas: pressionado por um protesto dos trabalhadores das Indústrias Stark que acusam o patrão de parceria com países comunistas, Stark se revolta com a acusação pois considera uma represália por ter deixado de fabricar armas para os militares, apenas para descobrir que um investidor de nome Gene Khan está por trás desses protestos. Ao investigar de forma nada sutil seu paradeiro, invade seu escritório e desce o porrete em todos à frente, descobrindo que o tal Khan (não confundir com o inimigo de James Kirk em Jornada nas Estrelas) é na verdade ninguém menos que seu arqui-inimigo Mandarim e a partir daí pancadaria corre ainda mais solta quando entra na briga o Unicórnio, inimigo surgido nos primeiros números da Iron Man #058revista e agora sob domínio mental do Mandarim (após ter a ele pedido ajuda para curar uma degeneração mental irreversível que sofria por efeito colateral de seus poderes, se é que isso tudo ainda faz sentido…).  Em “Mandarin and the Unicorn: Double-Death!” (Mandarim e o Unicórnio: Morte em Dobro!) no #58 (maio de 1973) a coisa se complica ainda mais quando o Homem de Ferro elude seus inimigos a atacarem um ao outro, quando então ocorre uma troca de consciência (!) e a mente do Mandarim passa a habitar o corpo do Unicórnio. Percebendo o desastre, o Unicórnio “incorporado” foge da luta levando o corpo inerte do Mandarim no intuito de buscar uma solução para a situação e a grande contribuição da edição é finalmente revelar o poder de cada um dos dez anéis do Mandarim, o que certamente é divertido mas não salva o conjunto da obra…

Iron Man #57 pg 12 & 14Os poderes dos anéis são finalmente revelados [Iron Man #57, pgs 12 & 14]

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Iron Man #068O arco seguinte começa no #68 (junho de 1974) e me é muito querido por razões nostálgicas, já que foi a primeira revista em quadrinhos original americana que li na vida nos longínquos 70s (lembro-me perfeitamente até hoje do lugar exato em que a encontrei na banca de jornais enquanto procurava por meu herói favorito, que havia desaparecido da Ebal e que só seria publicado novamente no Brasil um ano depois pela Bloch). O longevo Tuska estava no seu auge artefinalizado magistralmente por Esposito, enquanto Mike Friederich tentava reverter algumas das más decisões criativas recentes, sem muito sucesso.

Iron Man #68, pgs 2 & 3, Friederich & TuskaPecados do passado: de volta ao Vietnã [Iron Man #68, pgs 2 & 3]

Em “Night of the Rising Sun!” (Noite do Sol Nascente!) encontramos o Homem de Ferro numa missão de resgate no Vietnã pós-guerra, questionando-se por suas decisões belicistas do passado numa nítida crítica afinada com a postura pacifista dos jovens americanos nos 70s, quando entra em confronto com o mutante japonês Sunfire que questiona sua presença não desejada na região, apenas para vê-loIron Man #68, pg 31, Friederich & Tuska desaparecer misteriosamente. Ao investigar descobre que nada menos que o Mandarim, ainda no corpo do Unicórnio e sediado numa base submarina, raptou o mutante para usá-lo como fonte de energia para o processo de transferência de sua mente para seu próprio corpo, obtendo sucesso.  Ao ser rechaçado pelo Mandarim, o Homem de Ferro sofre avarias em sua máscara devido à uma explosão combinada à pressão subaquática, o que o leva de volta ao laboratório e à uma de suas invenções mais polêmicas: o nariz na máscara, justificado para suportar a pressão submarina e “inspirar medo nos oponentes” (sic). O resultado não foi bem medo mas revolta e chacota dos fãs, à época…

Aqui cabe um parêntese anedótico: reza a lenda que Stan Lee, à essa altura todo-poderoso editor-chefe da Marvel, havia escrito no rodapé de um layout que revisara que desejavaIron Man #68, pg 32, Friederich & Tuska inovações na revista a começar por alguma novidade na armadura no intuito de gerar interesse e atrair mais leitores, e que teria escrito algo como “que tal um nariz na máscara ou algo assim” apenas de brincadeira, para aliviar o tom das exigências que fazia. Ocorre que Friederich teria tomado a observação ao pé da letra e o resultado foi um design aberrante  e meio ridículo que só foi alterado por Len Wein e Herb Trimpe 17 números depois, para alívio dos fàs inconformados…

Iron Man #069A arco prossegue no # 69 (agosto de 1974) em “Confrontation!” (Confronto!) onde após a transferência da mente do Mandarim para seu próprio corpo ele é, como diz o título, confrontado pelo renovado e narigudo HomemIron Man #070 de Ferro, apenas para fugir covardemente deixando Sunfire á morte por afogamente em meio à destruição de seu laboratório submarino, cabendo so Vingador Dourado o resgate. Esgotado e atacado novamente pelo Mandarim, é por este derrotado e lançado ao espaço para que pereça, enquanto o Mandarim prossegue para despertar novamente Ultimo de sua sepultura num vulcão adormecido e lançá-lo num ataque ao vilão Garra Amarela, que havia tomado posse de seu castelo na China. Alguém aí ainda acompanha o fio da meada? Ninguém disse que era fácil ser fã da Marvel nos 70s, mas com certeza era divertido…

Iron Man #070, pg 22Mandarim vs Garra Amarela: no confronto doméstico o dono da casa levou a pior [Iron Man #70, pg 22]

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Iron Man #071Isso se confirma no # 70 (setembro de 1974) em “Who Shal Stop… Ultimo?” (Quem Deterá… Ultimo?) que é pura pancadaria no bom e velho estilo Marvel: enquanto o Mandarim confronta e é derrotado e “morto” por um Garra Amarela marrento e cheio de truques, o Homem de Ferro e Sunfire derrotam Ultimo em mais uma batalha titânica, após o que o primeiro ruma para o confronto final com o Garra Amarela, tradicional inimigo de Nick Fury e do Capitão América. Em “Battle: Tooth and Yellow Claw!” (Batalha: Dente e Garra Amarela!) no #71 (novembro de 1974) Friederich e Tuska podem ser acusados de tudo, exceto monotonia: gosmas gigantes verdes, mini robôs explosivos e monstruosos besouros roxos fazem parte do arsenal do traiçoeiro Garra contra nosso herói, e a essa altura nosso querido Mandarim já estava no fundo de seu poço narrativo do qual só sairia  3 anos depois…

Iron Man #71 pgs 07, 14 & 23

Macróbios verdes, robôs explosivos e besouros gigantes: a dura vida de um superherói nos 70s [Iron Man #71, pgs 7, 14 & 23]

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O último arco dos anos 70 a contar com a presença do Mandarim é de certa forma especial pois faz parte da comemoração do centésimo número da revista do CabeçaIron Man #098 de Concha. Desenvolvido pelo roteirista Bill Mantlo, contando novamente com a arte dinâmica de George Tuska (que havia dado lugar a Arvell Jones do #73 ao #77, a Chic Stone nos #s 80-81 e a Herb Trimpe do # 82 ao #85 e #s 93-94) e artefinalizado por Don Perlin e depois novamente por Mike Esposito, o arco se inicia no #98 (maio de 1977) em Iron Man #099Sunfire Strikes Again!” (Sunfire Ataca Novamente!) e se intensifica no #99 (junho de 1977) em “At the Mercy of the Mandarin!” (À Mercê do Mandarim!) com a presença de um Mandarim de visual modernizado atacando e mandando novamente ao espaço um Homem de Ferro cuja armadura é vestida por Kevin O’Brian, amigo e funcionário de Stark em um repeteco do papel de Happy Hogan na década anterior.

Iron Man #100, pg 26Nunca é demais garantir o sucesso do “raio trator à base de repulsão eletromagnética” (como ninguém pensou nisso antes?) com um bom soco bem aplicado [Iron Man #100, pg 26]

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Aparentemente novas idéias estavam em falta e novamente Stark, vestindo uma armadura antiga, segue para o salvamento e para o confronto final com o Mandarim no #100 (julho de 1977), com umaIron Man #100 clássica capa de Barry Windsor-Smith) em “Ten Rings to Rule The World!” (Dez Anéis Para Dominar o Mundo!). Apesar de previsível a briga é boa e reminiscente dos antigos confrontos entre os personagens, com direito ao uso de todo o arsenal de diferenciados poderes dos anéis contra nosso herói, que não só vence como ainda se dá o luxo de desdenhar do Mandarim mandando-o refletir sobre o fato de que podia tê-lo matado mas não o fez por respeito à vida até do mais desprezível ser, o que aparentemente deixa o Mandarim preferindo a morte a ter que ouvir sermão…

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Iron Man #69, pg 32, Friederich & TuskaNada temam: ele não é chamado de invencível à toa… [TOS #69 pg 32]

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Na 3a e úitima parte desta matéria: a melhor estória com o vilão e todos os arcos restantes até nossos dias!

Iron Man #68, pg 23, Friederich & Tuska


O blog parceiro HQRock repercutiu há poucos dias a seguinte declaração do presidente da Marvel Studios Kevin Feige, sobre a abordagem que será dadas ao vilão do filme  Homem de Ferro 3, o qual será lançado nos cinemas em abril de 2013:

O Mandarim é o mais famoso dos inimigos vindos dos quadrinhos, principalmente porque é o mais longevo. Se você olhar, não há necessariamente uma história definitiva com o Mandarim. Então, é realmente mais sobre a ideia. Nunca tivemos interessados nos termos estereotipados de Fu Manchu que estavam envolvidos [nas histórias antigas]. Pense no que acontece com a casa de Tony [o trailer mostra ela sendo bombardeada por helicópteros, destruída e naufragando no mar]. Nenhum outro vilão seria hábil para atacar rápido e duro algum dos nossos heróis. É muito sobre que o mundo precisa aprender e ele quer impor ao mundo sua visão.

Mandarim e mansão Stark sob ataque

Mandarim interpretado por Ben Kingsley e a mansão de Stark prestes a ser atacada

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Ao qual se seguiu o comentário do amigo blogueiro Irapuan Peixoto, criador e redator do HQRock:

De fato, bem observado: não há uma grande história do Homem de Ferro com o Mandarim. Talvez a exceção mais próxima seja o arco escrito por John Byrne e desenhado por Paul Ryan nos anos 1990… Mas a ideia do Mandarim como seu arquivilão sempre prevaleceu. Como ele se sairá nos cinemas?

War Machine-Iron Patriot & Iron Man Mark XLVIII

Ilustração com War Machine no esquema de cores do Patriota de Ferro e a armadura Mark VIII (ou Mark XLVIII, segundo alguns)

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Em seguida nos comentários do post nos encontramos, Irapuan e eu, matutando se de fato haveria alguma estória definitiva dentre os inúmeros embates entre o Homem de Ferro e o Mandarim que ocorreram nas HQs, e a pesquisa que levei a cabo a partir daí acabou por gerar esta postagem. Ainda que não tão abrangente  ou exaustivo como desejaria, espero que o material a seguir seja capaz de responder a pelo menos 3 perguntas:

– Qual a melhor estória envolvendo o vilão já publicada?

– O Mandarim é de fato o arquivilão definitivo para o Homem de Ferro?

E por fim: como se sairá no cinema?

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HQRock logoQuem quiser se aprofundar na extensa galeria de vilões do Vingador Dourado basta navegar até Homem de Ferro: Os Maiores Vilões para uma excelente e abrangente matéria sobre o assunto!

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Primórdios

Tales of Suspense #50O Mandarim surge pela primeira vez em Tales of Suspense #50 (fevereiro de 1964), criação de e arte de Don Heck. Nessa primeira etapa da ainda recente trajetória do Homem de Ferro (criado pouco mais de um ano antes, em Tales of Suspense #39 de março de 1963) a caracterização de seu alter-ego Tony Stark (playboy milionário e gênio tecnológico cujo frágil coração atingido por um estilhaço de bomba era secretamente sustentado por sua armadura) e dos personagens secundários de apoio (a bela secretária Pepper Potts apaixonada pelo patrão e o fiel motorista Happy Hogan que, completando o triângulo, por ela era apaixonado) já estava bem consolidada e gerava dramaticidade e comicidade na medida certa para contrabalançar a ação, porém os vilões eram um grande problema. Não havia uma clareza quanto ao tipo de ameaça contra a qual nosso herói devia se provar, e da extensa galeria inicial (Gargantus, Bárbaro Vermelho, Kala a Rainha do Submundo, O Faraó Louco… e por aí vai) poucos se salvaram. Porém dentre eles havia um destinado a perdurar: o Mandarim.

Tales of Suspense #50, pg. 01, Stan Lee & Don Heck

Mandarim em sua primeira aparição: mais clássico e canastrão, impossível… [TOS # 50 – pg 01]

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Não que a estória fosse um primor: em “The Hands of the Mandarin!” (As Mãos do Mandarim!) ele é mostrado como um arrogante e estereotipado déspota de um enclave medieval em meio a uma China comunista, desejoso de um confronto com o Homem de Ferro apenas para destruí-lo e assim mostrar sua superioridade e motivo pelo qual um Pentágono belicista solicita a ajuda do Vingador Dourado no intuito de descobrir suas reais intenções. Como sempre nessa fase da Marvel o pau corre rapidamente solto e sem maiores delongas, não obstante a ação é bastante satisfatória sendo uma especialidade da editora: os anéis de poder que o Mandarim possui colocam as habilidades do herói extensivamente à prova, apenas para ser o vilão pateticamente derrotado por… um golpe de karatê mal aplicado! Apesar do final desajeitado Stan Lee nos brinda nos brinda um adversário com potencial de gerar uma real ameaça ao Homem de Ferro, razão suficiente para a relevância desta estória inaugural.

Tales of Suspense #50, pg. 07, detalhe, Stan Lee & Don Heck

Anéis vs armadura: o primeiro de inúmeros confrontos [TOS #50 – pg 07]

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Tales of Suspense #55Tal é o sucesso que o vilão retorna em Tales of Suspense #54-55 (junho-julho de 1964) e #61-62 (janeiro-fevereiro de 1965), sempre com a mesma equipe criativa. No primeiro arco, “The Mandarin’s Revenge!” (A Vingança do Mandarim!) e “No One Escapes the Mandarin!” (Ninguém Escapa do Mandarim!), a arte de Heck atinge seu auge que dura até sua saída do título, apresentando um repeteco ampliado do confronto anterior com muitas páginas de excelente ação em que o Homem de Ferro é obrigado a usar todos os seus truques tecnológicos para escapar do castelo do vilão e evitar que o mesmo roube tecnologia militar americana na forma de mísseis, numa clara alusão ao confronto da Guerra Fria. Já no segundo arco “The Death of Tony Stark!” (A Morte de Tony Stark!) e “The Origin of Mandarin!” (A Origem do Mandarim!), que pode ser considerado o melhor dessa fase inicial, Lee avança e aprofunda bastante a trama ao revelar-nos não só a origem do vilão como seus propósitos: descendente direto de Gengis Khan e destituído de suas possessões nobres e imperiais pelos comunistas chineses, o Mandarim encontra os restos de uma nave alienígena ao vagar pela China profunda e nela encontra os famosos dez anéis de poder.

Montagem com detalhes de Tales of Suspense #54 pg04 e #55 pg11, Stan Lee & Don HeckSe os jatos não aguentam, vamos de patins… e o velho truque da ilusão de ótica!  [TOS #54 – pg 04 & TOS #55 – pg 11]

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Numa boa sacada de Lee, é-nos revelado que à medida que o Mandarim aprende a utilizar a poderosa tecnologia extraterrestreTales of Suspense #62 descobre que os aliens que as criaram eram na verdade assemelhados à dragões, tendo por isso passado para as lendas ancestrais como monstros mitológicos. Isso tudo é narrado num flashback em dobra 8 em pouco mais de quatro páginas, na clássica e manjada cena em que o vilão pensa ter derrotado o herói dando a este a óbvia chance de se recuperar e evitar que o inimigo detone um míssil nuclear que desencadearia a 3a Grande Guerra Mundial entre o Ocidente capitalista e o Oriente comunista, ao cabo da qual ele reinaria supremo. Mandarim é aqui, portanto, um obscurantista regressivo que faz uso de tecnologia roubada apenas para cumprir uma agenda terrorista, algo que se encaixa perfeitamente com a narrativa modernizada pós 11 de setembro onde o Afeganistão talebanista substitui a China comunista, direção que o filme 1 já apontou e o 3 deverá seguir…

Tales of Suspense #62, pg 05, Stan Lee & Don Heck,Nada como a conveniência da fonte de poder alienígena ser na forma de anéis… [TOS #62 – pg 05]

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Tales of Suspense #77O arco seguinte a apresentar um novo embate entre o Homem de Ferro e o Mandarim ainda nas páginas de Tales of Suspense foi roteirizado por Stan Lee porém agora contando com a estupenda arte deTales of Suspense #78, pg 06, detalhe, Stan Lee & Gene Colan Gene Colan cobrindo os #s 76-78 (abril-junho de 1966). A estóriaHere Lies Hidden… The Unspeakable Ultimo!” (E Aqui Se Esconde… O Inominável Ultimo!)  introduz da maneira bombástica e melodramática de Lee o autômato gigante Ultimo, criado pelo Mandarim em seu contínuo propósito de dominação mundial como convém a um supervilão de então. No número seguinte, “Ultimo Lives!” (Ultimo Vive!), a batalha se dá entre este e o Homem de Ferro não sem antes alguns furos de roteiro, como o Mandarim ser capaz de monitorar e teletransportar Tony Stark por engano ao buscar seu alter-ego Homem de Ferro e nem lhe passar pela cabeça que são um e o mesmo… de qualquer maneira a arte dinâmica de Colan mais que compensa e as cenas da batalha são memoráveis devido à assimetria de poder e tamanho entre os oponentes: Ultimo não sendo lá muito brilhante é derrotado pela astúcia e agilidade do Homem de Ferro e desta vez os planos malévolos de Mandarim são colocados de molho até os #s 84-86 (janeiro-fevereiro de 1967), respectivamente “The Other Iron Man!” (O Outro Homem de Ferro!), “Into The Jaws of Death” (Nas Mandíbulas da Morte) e “Death Duel for the Life of Happy Hogan!” (Duelo Mortal pela Vida de Happy Hogan!), todas com a arte de Colan e roteiro Lee.

Tales of Suspense #85, pg 05, Stan Lee & Gene ColanA genialidade tecno-científica de Stark em ação [TOS #85 – pg 05]

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Aqui ele se utiliza pela primeira vez de um argumento bastante engenhoso do ponto de vista dramático e cujo potencial narrativo é tão atraente que será utilizado inúmeras vezes por outros roteiristas do herói: a substituição do homem dentro da armadura. Neste caso quem vai para o sacrifício é o fiel escudeiro Happy Hogan, nesta altura já sabedor da identidade secreta do amigo e patrão. No intuito de protegê-la, usa a armadura paraTales of Suspense #85 permitir que o público veja o Homem de Ferro concomitantemente a Stark, porém o timing não podia lhe ser pior: teletransportado pelo Mandarim é vítima de uma surra homérica devido à sua falta de familiaridade com a armadura, sendo desmascarado e aprisionado numa soturna masmorra estilo medieval. Obviamente Stark sai para o resgate surpreendendo o Mandarim que quase comemora o fato de seu verdadeiro oponente oferecer agora uma real resistência, e mais uma vez os leitores são brindados com uma boa briga no estilo anéis & karatê versus engenhosidade & tecnologia, o que a esta altura se consolida como um embate clássico: ponto a favor do Mandarim como o legítimo maior arquivilão do título…

Tales of Suspense #86, pg 07, Stan Lee & Gene Colan

Ele não é chamado de invencível à toa… [TOS #86 – pg 07]

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Na 2ª parte desta matéria: os embates entre o Homem de Ferro e o Mandarim já em seu título próprio, do final dos 60s ao final dos 70s!

E na 3a e úitima parte desta matéria: a melhor estória com o vilão e todos os arcos restantes até nossos dias!

Tales of Suspense #76, pg 09, detalhe, Stan Lee & Gene Colan


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