Jetstortopia


Recentemente o produtor cultural nerd Érico Borgo – ex-membro do Omelete e atualmente em seu próprio e excelente canal Huuro, onde tem dado verdadeiras aulas magnas em seus videos sobre super-heróis – trouxe uma reflexão à partir do que ele identifica como uma possível tendência de uso excessivo de violência, gore e realismo sombrio nas séries de super-heróis disponíveis em streaming, no video a seguir:

Séries como The Boys, Invincible e O Legado de Jupiter poderiam ter então cruzado a linha que define o gênero ao abusar dos elementos descritos acima – seja por apostar em uma desconstrução crítica do gênero, seja por buscar um ângulo novo e inusitado que gere choque e impacto – e com isso gerando um risco de descaracterização e mesmo uma certa destruição do legado narrativo dos super-heróis para as novas gerações?

A partir de um aprofundamento do tema em discussões com os amigos do G.D.H.Q., deixam-se aqui registradas no blog algumas reflexões para que essa discussão possa ser divulgada e ampliada – as quais são desenvolvidas logo abaixo.

The Boys

Uma idéia a ser explorada é a de que essas séries, e as próprias hqs das quais se originam, nunca foram do gênero super-heróis propriamente dito. Essas HQs, ainda que derivadas de expoentes do gênero como Watchmen e Dark Knight, o desconstroem de tal maneira que terminam por destruir seus fundamentos, passando a ser outra coisa, ancorada no pastiche, na paródia, no drama e no deboche – que até podem depender do gênero originário para se afirmar, mas o abandonam quase totalmente como cânone narrativo.

O gênero superheroico é, em sua essência e desenvolvimento, do tipo mítico, fabular e inspiracional (*); tem uma linguagem própria, visual e narrativa, construida ao longo de décadas, com signos e semântica peculiares. (*) Robb, Brian J, A Identidade Secreta dos Super-Heróis – Capítulos 1 e 2, Editora Valentina, 2014

O herói representa um padrão de valor, simboliza um valor. Salienta-se pela excepcional capacidade de satisfazer uma necessidade ou um conjunto de necessidades. Encarna o valor que simboliza. (…) Em última análise, a figura do super-herói é uma versão nova do herói comum, tomado como a expressão de um valor em seu grau mais elevado.

(Fernando Albagli, Revista de Cultura Vozes 4 – O Mundo dos Super-Heróis, págs 292-293, Editora Vozes, 1971)

Reino do Amanhã

Funciona como uma narrativa moderna equivalente ao papel desempenhado pelos mitos e fábulas da antiguidade, a respeito de fundamentos da sociedade e humanidade, a partir de construtos filosóficos e valores éticos específicos – justiça, respeito, amizade, coragem, igualdade, superação, e assim por diante – narradas na forma de aventuras seriadas e que fazem o mesmo papel para adolescentes e adultos que os contos de fadas fazem para crianças.

Como forma moderna de produção desse legado, o quadrinho de super-herói surge como parte integral da linguagem da 9a Arte – linguagem sequencial, decupagem de imagem e texto integrados, produzida industrialmente para consumo imediato – não deixando também de constituir-se, com o passar do tempo, como Arte Pop (*) e um gênero específico de HQs, criado e desenvolvido pelos norte-americanos ao longo do século XX. (*) Como descreve o escritor e crítico Harlam Elisson (1934-2018)

Invencível

Não é cartum, não é quadrinho europeu, não é mangá – e certamente não é HQ indie (*), categoria de onde surgiram The Boys, Invincible, Jupiter’s Legacy, etc. Estas últimas são HQs paródicas, dramáticas e/ou críticas, que dialogam com o gênero super-heróis mas a rigor já se encontram fora do mesmo. E essa talvez seja a confusão: por usarem seres superpoderosos e se apresentarem propositalmente com tais, pegam carona no gênero sem necessariamente pertencerem a ele. (*) aqui referidas em seu aspecto conceitual – nada impede que um quadrinista crie uma estória de super-heróis e a publique de forma independente

Se fossem mais explícitas em suas intenções, venderiam-se como são: soap operas gráficas ou televisivas para adultos contemporâneos, travestidas de super-heróicas por uma questão de conveniência, mas na realidade pertencendo a um gênero oposto – anti-super-heróico’ – por opção estética e narrativa. Nesse caso seria mais fácil perceber-se que obviamente são livres para usar o que quiserem pra construir sua narrativa e audiência: gore, violência, dramalhão, sátira.

Legião dos Super-Heróis

Claramente não pertencem mais ao gênero ao qual referem porque não usam mais nenhum elemento do núcleo constitutivo dele, exceto superpoderes e certos cacoetes e características narrativas, porém de forma derrogatória. Em resumo, não basta ter superpoderes ou vestir uma capa para ser uma narrativa de super-herói…


O Capitão América é um personagem da Era de Ouro, criado em 1941 pelos ilustres Joe Simon e Jack Kirby, este último o lendário e seminal artista responsável junto ao genial Stan Lee pela criação da Marvel moderna, na Era de Prata dos anos 60.

Stan Lee, Gene Colan, Jack Kirby, Joe Simon, Sal Buscema

Porém muitos outros artistas menos conhecidos estiveram envolvidos na construção e desenvolvimento dos mais famosos personagens da editora – tais como o Falcão e o Soldado Invernal, que recentemente tiveram sua série de sucesso lançada no Disney+.

John Romita Sr, Ed Brubacker, Steve Epting, Steve Englehart, Jim Steranko

No vídeos abaixo comentamos sobre a extensa contribuição desses magníficos artistas, ao mesmo tempo em que destacamos detalhes de suas artes e arcos narrativos:


Se você queria uma opção semelhante à famosa GDEmu – placa emuladora óptica que nove entre dez retrogamers utilizam em seus Dreamcastpara o Nintendo Gamecube, está com sorte: ela existe, é tão boa quanto e se chama GC Loader PNP.

O GC Loader PNP funciona em qualquer modelo de Gamecube de qualquer região e é utilizado no lugar do drive óptico do mesmo – seja para substituir uma unidade defeituosa e trazer o console novamente à vida, seja para ter acesso a uma biblioteca completa de jogos de forma rápida e prática sem necessidade de uso de midia óptica.

O cartão SD de até 1Tb que vai no GC Loader deve ser de boa qualidade e permitir acesso aos dados em alta velocidade, além de ter que estar formatado em FAT32 ou exFAT – além das imagens dos jogos (ISO, DOL ou GCM), nele também vai o executável do aplicativo Swiss, responsável pelo menu e boot dos games.

A instalação é plug-and-play e não necessita de solda – para save dos games sem uso de memory card é necessário e instalação de um adaptador do tipo SD2SP2 com cartão micro SD na porta serial do console. Todo o processo de instalação do GC Loader bem como do adaptador SD2SP2 pode ser acompanhado no video abaixo:


A Panini traz ao Brasil um lançamento da matriz italiana de muito sucesso e relevância tanto para fãs novos como antigos – a Coleção Clássica Marvel. O foco da coleção é o material seminal que a Marvel publicou nos anos 60, revolucionando o gênero.

A Coleção consiste de 60 volumes de periodicidade quinzenal em formato americano, capa cartonada e edição caprichada recheada de informações e detalhes nostálgicos, como descreve a introdução pelo editor Leandro Luigi del Manto:

A partir deste primeiro número da Coleção Clássica Marvel você verá o ressurgimento da Era Marvel com a publicação de suas histórias em ordem cronológica, sempre acompanhadas de artigos explicativos e cheios de comentários de bastidores (…) resgatando o fabuloso Universo Marvel forjado pelas mentes talentosas de gênios como Stan Lee, Jack Kirby, Steve Ditko, Gene Colan, John Romita, Marie Severin e tantos outros astros das HQs.

O material, publicado originalmente em Amazing Spider-Man, Tales of Suspense (Iron Man, Captain America), Tales to Astonish (Hulk), Thor, Avengers, X-Men, Daredevil e Fantastic Four, já foi publicado de forma relativamente integral pelas saudosas editoras Ebal, Bloch e Abril nos anos 60, 70 e 80 respectivamente, permanecendo fora de catálogo desde então para o público brasileiro, exceto por uma ou outra edição esporádica.

Segundo declaração da editora, por motivo de custo de frete e limitação de distribuição, os volumes estarão disponíveis para compra apenas no site e em bancas paulistanas – a primeira edição custará R$14,90, a segunda R$24,90 e da terceira em diante R$34,90 – uma coleção verdadeiramente histórica,  imperdível e obrigatória para todo Marvete que se preze!

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RetroDream é um novo file manager e game loader para usuários de Dreamcast que utilizam o Dreamshell – nas palavras de seu criador Cpasjuste:

Com RetroDream pode-se navegar no disco rígido e sdcard, sendo uma alternativa ao popular aplicativo DreamShell. Por simplicidade e interoperabilidade, RetroDream usa os loaders, presets e previews de imagens do DreamShell, o qual necessita estar  instalado no disco rígido (“/ ide / DS”) ou sdcard (“/ sd / DS”). Em seguida, você terá que copiar o binário do RetroDream em seu disco rígido ou sdcard e carregá-lo com o DreamShell, ou simplesmente substituir o binário DreamShell (“DS / DS_CORE.BIN”) pelo RetroDream.

 

Utilizamos a última opção descrita acima por ser a mais fácil e funcionou perfeitamente. Para que as capas apareçam ao lado dos jogos são necessárias imagens em formato JPG no tamanho 256×256, alocadas na pasta “/DS/Apps/Iso_Loader/Covers” do Dreamshell, o resultado podendo ser visto no video abaixo:


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Por conta do complicado ano que foi 2020, alguns posts produzidos ano passado acabaram ficando no limbo – este é um deles, programado originalmente para fevereiro daquele ano e só agora vindo a ser postado

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Em setembro de 2018 anunciamos aqui no blog que a Capcom lançaria uma coletânea reunindo sete de seus melhores jogos retro arcade beat’em up dos anos 90 – Final Fight, Captain Commando, The King of Dragons, Knights of the Round, Warriors of Fate e os inéditos em consoles Armored Warriors e Battle Circuit.

O lançamento ocorreu em dezembro daquele ano em midia digital para Nintendo Switch, Steam, Xbox One e PS4 e exclusivamente no Japão foi lançada a midia física em 3 packs para colecionadoresCapcom Belt Action Collection: COLLECTOR’S BOX (com posteres e cards), Capcom Belt Action Collection: LIMITED BOX (com livro e cds musicais) e Capcom Belt Action Collection: COMPLETE BOX (reunindo o material de ambos os anteriores).

Agora temos o prazer de apresentar o primeiro deles – Capcom Belt Action Collection: COLLECTOR’S BOX para PS4 – que consiste no box com a midia fisica, 7 belíssimos posteres 50x70cm de cada um dos jogos da coletânea e 14 lindos cards de instrução dos mesmos, como pode ser apreciado nas imagens abaixo.

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Pode parecer um Switch gigante mas os joycons não são de fato reais – trata-se de um TV modelada perfeitamente de acordo com o design do portátil da Nintendo pelo gamer kai.mariosfun, segundo Kotakucom os controles criativamente disfarçando armários nas laterais:

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Shenmue VR – Christmas on Dobuita St.” é a recriação em VR pelo artista e designer bloodhoundtown do ambiente gráfico em que se desenvolve a trama de Shenmue – originalmente para Dreamcast e atualmente disponível para Xbox One, PS4 e PC, além de retrocompatível no PS5 e Xbox Series S/X segundo dica de Luiz Nai, no grupo Dreamcast Brasil.

Os fãs da magistral franquia criada pelo mestre Yu Suzuki – atualmente no terceiro título lançado com sucesso em 2019 para PS4 e PCsabem da incrível imersão e impacto cultural proporcionado pelo mundo aberto dos bairros de Yamanose e Sakuragaoka onde se localiza Dobuita Street, recriados digitalmente no início primeiro jogo, e um pouco dessa magia pode ser novamente usufruída graças ao engine Dreams:


Demorou, mas chegou: ‘Sega Dreamcast: Collected Works’ é um projeto da editora britânica Read Only Memory – especializada em produtos de alto padrão ligados ao universo dos videogames, em especial retro – fundado com sucesso através do Kickstarter em 2017. O livro é assim descrito por seu editor, Darren Wall:

SEGA Dreamcast: Collected Works é a história definitiva de um console cult, produzido em colaboração com a SEGA. Em formato grande e capa dura de luxo, apresenta uma coleção deslumbrante de materiais nunca antes publicados e um editorial especialmente encomendado, oferecendo uma visão sem precedentes sobre a criação do console Dreamcast e sua célebre biblioteca de jogos.

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Com entrega estimada para início de 2019, sofreu atrasos por conta da pandemia mas agora já se encontra em nossas mãos graças ao gentil suporte do editor, e podemos confirmar que é uma peça de coleção indispensável para qualquer verdadeiro fá do Dreamcast.

Além de imagens inéditas em alta resolução, acabamento gráfico primoroso e farto material conceitual inédito, o livro apresenta inúmeras entrevistas exclusivas e aprofundadas com alguns dos maiores criadores de Sega para o console tais como Yu Suzuki (Shenmue), Tetsuya Mizoguchi (Space Channel 5) e Yuji Naka (Sonic).

O livro encontra- se agora à venda para o público em geral no site da editora pelo mesmo valor de 35 libras esterlinas, conforme anunciado originalmente. Veja abaixo fotos do livro finalizado:


Nos anos 90 o seminal FPS Doom fora criado para PC-DOS e portado, dentre outras plataformas, para o 32X – o add-on que dotava o Sega Megadrive de capacidades 3D – porque de outra maneira seria impossível de ser rodado nativamente no hardware de base devido à suas limitações.

Isso valia até poucos meses atrás quando @krikzz, o famoso criador do cartucho Everdrive, conseguiu o feito de rodá-lo em um Megadrive raiz – uma prova de conceito apenas, já que o port é praticamente injogável no estado:

Mas agora a coisa mudou de figura, segundo matéria no PC Games No desenvolvedor retrogamer Uniq Games conseguiu melhorar significativamente o framerate, além do jogo agora rodar colorido, a ponto de torná-lo plenamente jogável.

Não há ainda uma explicação técnica mas desconfia-se de que a proeza foi obtida utilizando-se de poder de processamento extra à partir do próprio cartucho Everdrive:

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